| SEMANAS ESPECIAIS | Entrevista Com Soraya Abuchaim

Oii gente! Tudo bom? Hoje darei continuidade ao projeto de divulgação do novo livro da Soraya Abuchaim que esteve início no começo da semana. Confira os posts na aba de publicações recentes.

No mês passado a Soh (sintam a intimidade) concedeu uma entrevista ao nosso blog. Que vocês podem conferir na íntegra abaixo.

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1. As pessoas que leram o seu primeiro livro Ate Eu Te Possuir tiveram variadas reações entre surpresa ou mesmo choque. O que então podemos esperar sobre A Vila dos Pecados?

O mesmo choque (hahaha). Na verdade a temática é bastante diferente, mas há muitos segredos e podres dos personagens que poderão chocar o leitor.

2. Entre criar segredos e ver o impacto deles dentro história, como é a trajetória?

Essa história começa com umas cenas impactantes em que o leitor acham que vai ter aquilo, mas na verdade aquilo é só gatilho pro restante do que vai acontecer. Basicamente nós estamos em uma vila que conforme o leitor vai lendo vai descobrindo que essa vila é muito… muito… muito diferente já que ela possuí suas próprias regras. E aí vamos descobrindo segredos conforme a trama vai acontecendo. E então quando as mortes começam é que vem as questões: o que tem haver com os segredos? Porque pessoas tão diferentes vem morrendo? Quem esta por detrás disto?

3. Todas vezes que leio livro bem escritos, sempre me pergunto se o autor pensou em tudo antes de escrever ou as coisas foram surgindo a medida que a história se desenrolava. Como foi para você neste ponto?

Eu faço um esqueleto da história pois preciso saber onde eu quero chegar e os pontos principais pelos quais a história tem que passar. Mas eu não crio os personagens com antecedência. Não crio detalhes. E então a partir do momento que começo a escrever eu mudo tudo daquilo que tinha esquematizado (hahaha), porque eu costumo dizer que não crio os meus personagens, mas eles me arrebatam. Então as vezes eu crio um personagem com uma característica x, mas de repente eu preciso que ele tenha uma outra característica para se encaixar na história. Então para mim não funciona definir tudo muito perfeitamente porque vou acabar mudando. Só pego um ponto de onde vou sair até um ponto onde vou chegar

4. Por falar em personagens estes de seu novo livro tem características bem diferentes uma da outra em que o desenvolvimento acaba sendo bem diferente um do outro. Foi complicado para você criar e dar vida a cada um desses personagens de modo que eles parecessem reais?

Alguns sim. Eu tive que explorar bastante alguns aspectos da mente humana para poder criar alguns personagens. Sempre fico pensando “Nossa será que ficou verossímel? Será que eu poderia ter usado mais?” É sempre minha dúvida. Alguns personagens fluiram bem. Por exemplo, o Padre Alfonso. Eu já sabia que queria que ele fosse, de modo que foi muito fácil faze-lo porque apeguei-me de modo muito pessoal à ele. Agora alguns personagens da trama como Ruy e a Marta eu tive um pouco de dificuldade. Isto, porque a própria Marta vem num comportamento linear até que se vê num estágio em que ela precisa saber o que vai acontecer em sua vida e ela própria não se reconhece. Então essas diferentes nuances dos personagens acabam sendo um pouquinho mais complicadas do que um personagem linear.

5. A trama tem um fundo religioso. Desde o título da obra até a base para a sua escrita. Como a religião entra na sua vida e se isto te influenciou ao escrever a obra?

A religião entra na minha vida não de forma muito fanática  embora tenha minhas crenças e leve isso muito bem no dia-à-dia.
Por incrível que pareça não fui muito influenciada pela religião para escrever esse livro. Ela permeia a história por causa do padre e o quanto importante era a figura católica naquela época. Mas não falo muito de pecado no sentido religioso da coisa, acho que é muito mais profundo que isto.

6. O que seria então este pecado? Pois a palavra reflete bastante o sentido religioso. Como você o vê dentro da história?

Eu vejo o sentido religioso dentro da história como um pano de fundo. As pessoas sempre pensam muito no pecado como algo que é de Deus ou que não é de Deus. E acho que o pecado tem mais haver do que a pessoa é como ser humano, até que ponto ela esta disposta a cometer esses atos, do que algo só permeado pela religião. Eu não sou católica, então para mim esta coisa de o que é certo é errado é muito relativo. Por as vezes uma coisa que para igreja é errada, aos olhos pode não ser. E mesmo a questão dos pecados talvez alguém vai ler o livro e vai achar que não nada de mais. Vai depender com que olhar a pessoa lê.

7. Você faz pesquisas antes de escrever suas obras? Por exemplo, em relação ao que falou sobre seus personagens, existiriam pesquisas que você faz dentro das raias da psiquiatria?

Faço pesquisa sim. Eu estudo comportamento humano, essas nuances deste comportamento principalmente para o lado da pisicopatia. E eu tive que pesquisar bastante sobre a religião católica. Inclusive, nomenclatura já que não sabia nada disso. Então pesquisei bastante. Eu sempre faço muitas pesquisas. Estou inclusive escrevendo um terceiro livro que é ambientado nos Estados Unidos e em locais reais, até porque Ponta Poente (nome da vila) não era real. E também estou pesquisando bastante. E A Vila dos Pecados como se passa no final do século XIX, ele tem as suas coisas características da época. De modo que fiz muita pesquisa para escreve-lo.

8. Você escreve livros com uma pegada de suspense psicológico. Este tipo de gênero sempre foi seu ramo ou foi se modificando enquanto amadurecia?

Sempre gostei de escrever suspense psicológico. Agora estou me embrenhando mais pelo terror. Tem algo sobrenatural neste livro que foi diferente para mim, pois o Até Eu Te Possuir por exemplo foi uma coisa mais real entre aspas. Este não. Tem este sobrenatural que o leitor vai se perguntar: “será que isto realmente aconteceu?”

9. Você possuí alguma rotina para escrever? Um horário e um lugar onde se sente mais à vontade?

No dia-a-dia quando eu então estou trabalhando, quando estou de folga, geralmente eu escrevo a noite e quando a Elis (filha)  já dormiu.
E escrevo no meu escritório que é o lugar que acho tranquilo para escrever.

10. Por esse lado entre ser mãe e ter que conciliar seu trabalho com a escrita, como lida com tudo esses desafios?

Eu quase não durmo e fico maluca (hahaha). É uma loucura porque a Elis tem dois anos e meio, então ela toma bastante tempo. Eu trabalho dez horas por dia em um hotel logo é uma carga horária grande pois ainda trabalho nos finais de semana… E eu faço academia… Tenho que cuida da casa… Cuidar de marido… Só que não posso deixar de escrever… Então minha rotina diária é uma completa loucura. Eu falo que não tenho tempo de respirar… (Rsrs). Tanto que eu fiquei doente várias semanas atrás de baixa imunidade.
Mas eu adoro esta vida. Adoro porque acho que não conseguiria fazer uma coisa só. Sempre fui assim.

11. Como escritora você deve ter lido inúmeros livros antes de finalmente começar os seus. Que lhe inspirou a escrever suas histórias?

Eu sou uma leitora compulsiva. Antes da Elis inclusive eu lia coisa de cinco livros por mês para mais até, as vezes dois por semana.
Meu primeiro livro Até Eu Te Possuir eu me inspirei na Elizabeth Haynes, em um livro dela chamado No Escuro principalmente para a relação entre a Johanna e o Michel.
No geral me inspiro muito no Stephen King porque além de ser fã incondicinal dele, gosto da maneira com o qual ele faz uso da narrativa bem descritiva que eu tento usar bastante nos meus livros. A Gillyan Flynn também nessa pegada mais psicológica, me inspira bastante.
Nossa, ainda tem diversos autores dos quais poderia passar horas falando. Mas estes são os principais.

12. Dentro de casa como a recepção da sua família quando você contou que queria publicar um livro?

Ficaram todos muitos felizes e tenho o apoio total deles. Meu marido então nem se fala. É meu maior apoiador, embora não tenha lido meus livros ainda porque ele não gosta de ler (esse é um capítulo a parte, aonde eu vou ele vai junto, no que é preciso comprar… Em tudo que preciso ele é meu maior apoiador.

13. Uma das verdades do Brasil é que aqui o mercado editorial é complicado e muita das vezes o dinheiro vence o talento. Como você sente esse mercado impactando sua vida?

Quando comecei a escrever tinha um sonho de viver da escrita aqui no Brasil. Então entrei no mercado editorial e hoje eu não tenho mais essa pretensão embora o sonho ainda exista. É um sonho que sempre vou ter, mas a gente sabe que o mercado editorial é complicado.
Fico chateada às vezes o dinheiro vence o talento. Que o dinheiro vence o QI e o talento. Mas eu acredito muito que Deus sabe o que ta guardado para mim. E acredito muito, muito, muito, que estou conquistando meu público. E que estou sendo reconhecida.
De modo que faço meu melhor e trato com carinho todos os meus leitores, todos os meus parceiros. Cada leitor é uma conquista… E aí a gente espera que as coisas aconteçam, pois tudo está no planejamento de Deus.

14. Então baseado nisto, o que espera que aconteça daqui para frente? Em relação ao seu futuro como escritora?

Espero crescer como escritora e ter meu trabalho cada vez mais reconhecido
Espero ser valorizada pelos meus leitores e não deixar nunca de escrever!

15. Para finalizar gostaria de deixar uma mensagem a seus leitores?

Quero agradecer todo o carinho que recebo dos meus leitores. Significa muito pra mim. Eu sou feliz por ter cada um de vocês na minha vida. ❤

Então é isso gente. Espero que tenham gostado. Eu amei fazer essa entrevista. A Soh foi bastante gentil comigo. Eu amei cada pedacinho. Detalhe: foi minha primeira entrevista. Ainda estou me sentindo a Opra 😌….

Beijos!!!
Até a próxima.

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22 comentários sobre “| SEMANAS ESPECIAIS | Entrevista Com Soraya Abuchaim

  1. blogcomv disse:

    Isso de montar o esqueleto da história é bem interessante e serve até para orientar escritores amadores, como eu, porque às vezes me perco hahaha achei a entrevista bem legal!

    Um beijo, Carol
    Blog com V.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Camila Mondaini disse:

    Amei a entrevista! Adoro esses quadros que nos permitem conhecer melhor os autores, saber como foi o processo de criação de uma obra que já temos em mente que não é nada fácil e bem trabalhoso. Agora eu super quero ler esse novo livro da Soraya!

    beijinhos!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Mirelle Almeida disse:

    Que lindaaaaa ela! Tão fofa. ^^
    Fiquei mais curiosa pra ler “A Vila dos pecados”, kkkk. Já estou me preparando.
    Gostei bastante das suas perguntas, deu para abarcar a Soraya escritora e a Soraya mulher (que não está separado). Deu pra gente ver um pouquinho dos dois lados e perceber que a vida de escritor não é fácil, tem que ter muita dedicação mesmo.
    Sucesso, Soraya!

    Beijos, Jess

    Curtido por 1 pessoa

  4. fabielymiranda disse:

    Oii, adorei a entrevista e as perguntas, elas estavam bem construídas e fugiram bem daquele padrão de entrevista que sempre vemos sabe..pude conhecer a autora que até então não conhecia e gostei muito ❤ O gênero que ela escreve me atrai muito , vou procurar mais sobre suas obras..
    Beijos ❤

    Curtido por 1 pessoa

  5. Viviane Oliveira disse:

    Ficaram ótimas as perguntas!
    Sempre achei curioso o trabalho de escritor, pq pra ser bem feito precisa de pesquisa e dedicação, só assim a história fica verdadeira. E por essa razão acredito que todo livro mereça elogios, independente de a história me agradar ou não, atrás dela existe um trabalho que merce carinho e respeito.
    Adorei! quero muito conhecer os livros 😀

    PS para a autora: Vida de mulher moderna é assim mesmo, a gente corre feito doida e tem certeza que vai ficar doida, mas a gente gosta e não pára, pode até diminuir o ritmo em alguns momentos, mas não abandonamos pq amamos cuidar de nós e da nossa família.

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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