A Hospedeira – Stephenie Meyer

Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos “selvagens” que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a “alma” invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente. Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua a viver escondido. Incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida por uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Peregrina improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa do homem que ambas amam.

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Eu queria acreditar no que ele dizia. Eu considerei a palavra expatriada… Tentando me convencer que não era nada pior.

Faz quase quatro anos que li A Hospedeira e ainda hoje foi um dos livros mais surpreendentes que eu encontrei na vida. Por ser escrito pela autora Stephenie Meyer, eu não achava que ele odeia me oferecer muita coisa, tendo em vista que já havia lido um livro da saga Crepúsculo (Lua Nova) e não ter gostado do cerne principal da história. Porém o enredo do livro se Meyer me chamou a atenção por eu nunca ter lido algo do gênero. Não a parte sobre um alienígena habitando o corpo de alguém, mas o foco não ser no hospedeiro em si e sim no alien, no caso, a alma.

Admito que a primeira parte do livro foi meio chata. Por ser um mundo grande e uma nova espécie, Meyer passou muito tempo nos explicando os detalhes do que são as almas e o que elas querem. Embora eu tenha gostado (e ainda goste) de saber ainda mais sobre as almas acho que isso parou a leitura um pouco que só fluiu de vez quando finalmente chegamos a evolução do livro assim que Peregrina (já amiga de Mel, apaixonada por Jared e se sentindo mãe de Jamie), foge para se encontrar com os humanos. A partir daí, durante toda a trajetória do livro eu sempre fiquei muito atenta aos detalhes e acho que devo parabenizar a autora por ter criado um enredo tão rico e bem estruturado. Peg faz descrições dos ambientes, dos personagens e dos sentimentos que me fizeram participar e sentir ativamente presente todo o livro.

Havia outra emoção crescendo nela que eu não reconhecia. Algo no limite da raiva, com uma ponta de desejo e uma porção de desespero.
Ciúme. Ela me esclareceu.

O que mais me chamou atenção durante o livro porém não foram os detalhes emotivos, e sim o grau de diferença quase perfeita das personalidades dos personagens. Começando por Peg e Mel (admito que desde sempre preferi a Peg por considerar Mel infantil e irracional), que são completamente opostas uma da outra. Entre elas está a diferença mais clara dos dois mundos de qual ambas vieram. Melanie é o exemplo claro da humanidade. Ela é egoista e manipuladora quando é necessário para proteger quem ama e especialmente violenta na maioria das vezes. Mel mostra de modo muito certeiro a vontade e o guerreirismo (se é que essa palavra existe) do ser humano. E muito embora eu não tenha gostado dela na maior parte do tempo, não pude deixar de admirar a garra de sua pessoa e sua mente. E Peregrina ao contrário é um amor de alma incapaz de fazer mal a alguma pessoa. É impressionantemente sagaz e astuta para compreender as coisas ao seu redor, e ainda aliada a isso, eu vejo nela a serenidade e a riqueza no senso de justiça que muitos humanos perderam com o passar dos anos.

Além dessas duas personagens principais, os outros personagens que posso destacar como essenciais para a história são Jared e Jamie é claro, alem do tio Jeb, Ian e Doc. Cada um deles me motivou a ler o livro de alguma forma pois eu fui me apaixonando por um ponto de especial de sua pessoa. Quero dizer de quase todos. Como sempre fui fã da Peregrina, odiei o Jared com todas as forças por sua incredulidade em relação a ela. O jeito como ele a tratava como “a coisa” e a repulsa que ele sentia dela me doíam bastante, mesmo que eu consiguisse entender que Peg representava a Jared – em uma prova visual constante – de sua perda sobre Melanie. Por outros lado temos uns apoiadores da causa “não vamos matar Peregrina”, como o pequeno Jamie que é irmão da hospedeira. É muito lindo ver que o amor que Jamie nutre por Melanie não o faz odiar Peg instantâneamente. Na verdade ele dá asas para que ela se torne sua amiga e também sua irmã. Exatamente o mesmo amor que Peg sente por ele e faria arriscar tudo pelo garoto.

Mas eu não consegueria segurar ele para sempre, ele escaparia de mim. Amanhã ou depois. E então eu morreria também. Sem Jamie eu não viveria.

Por fim temos Doc, Ian e Jeb. Doc é o personagem mais misterioso da história e também um dos mais gentis. Eu consigo enxergar a bondade e o interesse nele, assim como a justiça, porém ele comete erros como qualquer humano. Ian é o meu crush da história. Eu me apaixonei por ele aos poucos. Depois de todo o ódio inicial, ele se deixou conhecer e mudar tudo que acreditava sobre as almas através das palavras Peg. Então ele se transformou, aos meus olhos, em um dos personagens mais apaixonantes de todos os tempos. Jeb é o Dumbledore da história. Toda história tem um. A curiosidade a facilidade que ele tem de encaixar as pecinhas uma na outra. Como se tivesse um terceiro olho escondido em algum lugar.

Porquê sempre o consideramos loucos? Mel se perguntou. Ele vê tudo. Ele é um gênio.
Ele é as duas coisas.

Por último, eu quero destacar a comunidade dos sobreviventes. Como uma massa humana que tem vontades e que construíram uma sociedade onde todos vivem em paz e cumprem seus deveres. E que também depois do ódio inicial, conseguiram aceitar ou então tolerar a vivência de Peg entre eles, isto com uma bela ajudinha de Jeb.

– Eu os estava acostumando a vê-lá por aqui. Fazendo-os aceita-la sem que percebessem. É como cozinhar um sapo. (…) – Se você joga o sapo em uma panela de água quente ele pulará fora imediatamente. Mas se voce colocar o sapo em água fria e aquecer o sapo não perceber até ser tarde de mais. Sapo fervido. É só trabalhar os pontos.

Eu simplesmente amo este livro. Ele foi um dos livros que formaram a minha mente de leitora com certeza. Acho que quem leu e entendeu o que a história passa, quem da uma chance, me entende. E quem ainda não, leia, é um dos melhores livros que já li em toda minha vida.

Título: A Hospedeira
Título Original: The Host
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Intrisica
Ano: 2009
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Estava me mudando, não a ela. Era quase um processo metalúrgico nas profundezas do ser que eu era, algo que já havia começado e estava quase terminado. Mas esse longo e ininterrupto beijo completou o trabalho – fundou essa nova criação. Inquebrável.

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