Montanha da Lua – A Maldição dos Harllinson – Mati Scotti – Livro Um

Há séculos uma verdade acompanha cada herdeiro do ducado de Bousquet: A Maldição dos Hallinson’s. Conta-se que a tragédia os acompanha, levando à morte as esposas em seu primeiro ano de matrimônio. Geração após geração, aprendem sua sina e a regra a seguir para possuir uma união frutífera e longa. Octávio Hallinson Segundo sofre as consequências de não seguir estes ensinamentos. Viúvo, isolou-se da sociedade, fugindo da responsabilidade de casar-se novamente para providenciar um herdeiro para seu título. Um homem marcado pela dor. Mical Baudelaire Nashgan sempre foi uma mulher decidida, enfrentando as ordens de sua tia e negando-se a seguir o protocolo que obrigava mulheres a procurar maridos apenas por posse de títulos e dinheiro e não por amor. posicionamento contraditório aos costumes afastou os candidatos, tornando-a uma das únicas solteironas que sua província conheceu. A mais bela dentre elas. Uma tragédia a coloca frente aos perigos da floresta aos pés da Montanha da Lua e seu futuro torna-se incerto e assustador.

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Esse é a terceira obra que leio de Mari Scotti e a minha favorita desde então. Mesmo eu achando um tanto impossível da autora me fazer gostar do que de seus livros passados, Montanha da Lua foi um romance que me surpreendeu em vários pontos, sem contar o fato que sou completamente apaixonada por romances de época.

Pensando um pouco sobre como o livro foi se moldando a cada passagem, percebo como cada ponto foi colocado dando um ar perfeccionista ao livro e o tornando mais real. Os dois personagens principais, lady Mical e o duque Octávio, se encaixam de uma maneira formidável: Onde Mical tem doçura, Octávio tem rabugice; Onde o duque tem fraqueza, Mical tem a segurança. Desse modo os detalhes entre os dois, se entrelaçam tornando-os perfeitos um para o outro.

Por que o proibido sempre retorna para atormentar aqueles que se empenham em resisti-lo?
– Octávio

Como em todos os livros que li anteriormente, a escrita de Scotti possuí um ritmo maravilhoso e sem o famoso lenga-a-lenga. Os fatos não levam a círculos viciosos ou repetições sem que haja uma boa explicação para tudo. É existente de um cadenciamento que faz você ler o livro inteiro em um único dia sem se dar conta disso. Fiquei o dia todo lendo e me surpreendi ao perceber que havia passado menos de doze horas para devorar a obra completa. Isto se deve a sucessão de fatos que sempre nos deixam com um gostinho de quero mais fazendo-me ficar ansiosa pela próxima página.

Mical é uma das jovens mais corajosas que já conheci em meio aos romances de época deste mundo de leitura. Firme e até mesmo petulante, a força que exprime a partir do que vemos pelas situações que a vida a impõe, mostra toda a mulher de sangue quente que é. E mesmo sua ingenuidade, por mais que pareça improvável para uma moça de sua idade, é apreciável. Pois suas descobertas com Octávio relacionadas não ao prazer, mas o que é ser uma esposa fazem com que eu me sinta próxima dela em vários aspectos. E ainda por cima, sempre capaz de entender e aceitar os medos de seu marido.

As pessoas sempre buscarão respostas para a morte, principalmente as prematuras. Mesmo sendo um homem letrado, está sujeito a ser guiado por sua perda.
– Mical

Já o duque Hallisson é uma pessoa incomum. Dizem que as mulheres são difíceis de entender, mas sinceramente, nas diversas passagens que o duque contava a história eu raramente conseguia entender como um homem tão estudado poderia aceitar a verdade na “maldição” de sua família (se bem que nem eu me decidi ainda se ela é verdadadeira ou não rs). Até que eu compreendi que era apenas o medo. O medo pode nos fazer a crer em coisas tolas. E o medo de Harllinson de perder Mical e principalmente, daquilo que ele sabia que não podia ir contra, o fazia ser um tolo tantas e tantas vezes.

Era um covarde, seguindo as regras que a Maldição criou para a minha família.
– Octávio

Normalmente quando eu faço resenhas, falo apenas nos personagens principais da trama. Porém, não consigo deixar de falar sobre a piedade, a compreensão e a repulsa que senti por Antonietta. Eu não consigo expressar o quanto senti vontade de bater em pessoas por ela ou simplesmente entrar nas páginas do livro para lhe consolar. Ninguém merece um passado como o dela e eu a compreendo profundamente, por que mesmo não tendo partilhado o horror que ela sofreu, como mulher fico imensamente nauseada e irritada com sua agonia.

―Eu sei. Às vezes posso sentir seu empenho. Como hoje… ―Murmurou. ―Quer me contar? ―Rapidamente neguei, focando-me nas mãos dele para não encará-lo. ―Por sentir-se envergonhada? ―Fiz que sim. ―Não fosse isto desejaria falar-me o que a magoa tanto? ―O olhei rapidamente e assenti uma vez, mordendo meus lábios, sentindo-me a garotinha de treze anos mais uma vez. Este era o único assunto que me punha trêmula, inquieta e insegura.
– Antonieta

Ainda estou absorvendo tudo que este livro me passou. Comovida pela história. Apaixonada pelo casal. Um turbilhão de emoções. Um livro maravilhoso que superou todas as minhas possíveis expectativas.

Titulo: Montanha da Lua
Autora: Mari Scotti
Ano: 2015
Editora: Independente
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

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3 comentários sobre “Montanha da Lua – A Maldição dos Harllinson – Mati Scotti – Livro Um

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