(Anatomia Literária) Trilogia A Maldição do Vencedor – Marie Rutkoski

Oi Corujinhas, tudo bom com vocês? Hoje é dia de mais um Anatomia Literária, que acabou se tornando uma das categorias favoritas aqui no blog. Eu fico muito feliz com o retorno que estou recebendo, porque não esperava as menções perguntas que recebo de tanta gente. Fico ainda mais animada por saber que é algo que vocês apoiam e gostam de ver aqui  no blog.

Sem mais delongas, o anatomia de hoje é voltado para a trilogia A Maldição do Vencedor da Marie Rutkoski que terminou por se tornar uma das minhas melhores leituras do ano passado, ao qual recomendo muito para vocês.

Vamos começar?

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Capas
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a maldiçao do vencedorA primeira capa, assim como as outras duas, apresenta a personagem principal, Kestrel, com referências claras não somente ao seu povo – características físicas – assim como pelas suas roupas, que por sua vez fazem referência ao seu status social definido como financeiro. A adaga na mão da protagonista é uma alusão a sua pouca participação na política, como se Kestrel não possuísse relevância para esse contexto. Além disso, nota-se a mão por cima do rosto e a boca entreaberta que revelam sinais de aflição podendo ser associada à duas coisas; o medo que Kestrel tem de ser subjugada às vontade de seu pai que almeja que a filha seja uma donzela (significado reforçado pela cor rosa que significa pureza, delicadeza e feminilidade); e a paixão que Kestrel passa a nutrir por Arin.

o crime do vencedorA segunda capa possui os mesmos elementos, muito embora sejam dotados de significados diferentes. Aqui o vestido de Kestrel passa a ser azul, sinônimo de depressão e frieza que representa os novos desafios da protagonista tem e a tristeza que sente em estar longe de seus amigos e familiares, e claro, do mal entendido com Arin. Em ambas as mãos, Kestrel traja uma espada, que simboliza sua participação maior (que uma adaga) e mais ativa (as duas mãos) nos jogos políticos. Sua expressão é de determinação, afinal se tornou alguém que agora sabe exatamente o que planeja fazer.

O Beijo Do VencedorPor fim, a última capa também apresenta os mesmos elementos da anterior mas com uma simbologia oposta. Kestrel não segura mais a espada pois observa o jogo político ao longe. Nessa obra, ela está muito mais voltada a usar suas habilidades mentais, de modo que não precisa mais tentar aparentar força pela luta corporal. O vestido tem um tom verde associado a renovação e plenitude, algo que Kestrel alcança verdadeiramente nessa obra, muito embora aqui esteja em dúvidas sobre os caminhos que lhe levaram a vitória, como pode ser visto em seu rosto.

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Curiosidades
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❉ Para escrever sua personagem, Marie Rutkoski disse em entrevista que ela nunca sabia exatamente como Kestrel pensava, de modo que gostava da ideia de deixar a cargo à cargo do leitor suas interpretações.
❉ As cenas favoritas da autora eram do jogo Morder e Picar

 

Espero que tenham gostado. Beijos.

( Resenha ) Garotas de Neve e Vidro – Melissa Bashardoust

Engraçado como mesmo inicialmente não gostando de determinado gêneros, acaba gostando de algumas obras o que te leva a ir atrás de outras. Depois da leitura de As Crônicas Lunares, fiquei ansiosa para ler outras releituras que trouxessem um manifesto diferente dos clássicos infantis. Nesse interim conheci a obra Garotas de Neve e Vidro através do canal Geek Freak e me interessei pela leitura. E sinceramente, foi uma das melhores obras que li nesse começo de ano sendo um manifesto não só pelo feminismo, mas pelo amor fraternal ameaçado.

Título: Garotas de Neve e Vidro | Título Original: Girls Made of Snow and Glass | Autora: Melissa Bashardoust| Editora: Plataforma 21 | Páginas: 424 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

Garotas de Neve e VidroSinopse: Mina é filha de um mago cruel e sua mãe está morta. Aos dezesseis anos, seu coração nunca bateu apaixonado por ninguém – na verdade, ele jamais bateu de forma alguma, e Mina sempre achou esse silêncio normal. Ela nunca suspeitou que o pai arrancara seu coração e, no lugar, colocara um coração de vidro. Então, quando Mina chega ao castelo de Primavera Branca e vê o rei pela primeira vez, ela cria um plano: ganhar o coração dele, tornar-se rainha e finalmente conhecer o amor. A única desvantagem desse plano, ao que tudo indica, é que ela se tornará madrasta. Lynet tem quinze anos e é a imagem de sua falecida mãe. Um dia, ela descobre a verdadeira razão disso: a partir da neve, um mago a criou à semelhança da rainha morta.
Mas, apesar de ser a projeção visual perfeita da falecida rainha, Lynet preferiria ser forte e majestosa como sua madrasta, Mina. E Lynet realiza seu desejo quando o pai a torna rainha dos territórios do sul, tomando assim o lugar de Mina. A madrasta, então, começa a olhar para a enteada com algo que se assemelha ao ódio, e Lynet precisa decidir o que fazer – e quem quer ser – para ter de volta a única mãe que de fato conheceu… ou simplesmente vencer Mina de uma vez por todas. Garotas de Neve e Vidro traça a relação de duas mulheres fadadas a serem rivais desde o princípio – a não ser que redescubram a si mesmas e deem novo significado à história que lhes foi imposta.

Melissa Bashardoust possuí uma escrita fascinante. Muito embora esteja lidando com universo pautado em um conto enraizado nos primórdios da sociedade-contemporânea (Quem não conhece a Branca de Neve?), a autora influi para construir algo inteiramente novo em termos simbólicos e conceituais. O enredo transcende do irreal ao real criando um misto de emoções verdadeiras e palpáveis. Melissa não parece disposta a apenas narrar uma porção de acontecimentos que levam seus personagens a chegarem em determinado lugar, mas sim a refletir sobre assuntos diversos que recriam a vida e o tempo, que muito embora sejam a parte do nosso, refletem nosso medos, anseios e sonhos.

Suas personagens são exemplos de tal determinância. Lynet, a protagonista secundária da obra (Mina certamente é a moral), tem uma espécie de relutância em aceitar aquilo que lhe impõem. O que me fez gostar imediatamente da personagem, pois sua força é bem estruturada na maneira com o qual foi criada envolta de uma psicologia reversa: treinada para ser uma perfeita dama da sociedade, Lynet quer algo mais que se tornar uma garota de porcelana, deixando para trás as semelhanças com a mãe (antiga rainha) a fim de criar algo maior para si. Além disso, Lynet não faz o clássico garota badass que termina sendo arrogante e não poderosa. Mas a personagem cresce e muito durante a trama por saber ouvir o que aqueles ao seu redor têm a lhe dizer.

Mina, por outro lado, foi uma personagem mais desenvolvida ao seu emocional. O modo como a rainha estabelece relações com os outros personagens cresceu de modo gradativo e doloroso. Mina deseja proximidade, sobretudo amor. Entretanto, mas não consegue pelos abusos mentais mentais e verdades “absolutas” dados pelo pai: Mina tem um coração de vidro, é incapaz de amar de alguém. Dessa forma, tudo que Mina deseja é que vejam sua beleza e a amem por ela, sem nunca mostrar seu verdadeiro já que não consegue suportar a ideia de lhe odiarem. Dessa forma, a construção da personagem vai para além do que conhecemos sobre um vilão, se é que podemos classificar a madrasta nesse ponto. Mina se torna muito mais aprofundada que um esteriótipo, de modo a aprender a ter confiança em si mesma e fugir das ideias arcaicas do seu passado.

“Estava ciente demais que era um espelho que a amava, e espelhos viam apenas a superfície.” 

Minha ressalva a obra foi a inconstância da narrativa que a deixou pesada. Li poucas páginas com a impressão que estava lendo muitas. Isso se deve a carga dramática que muitas vezes se tornou excessiva na trama, passando um aspecto incongruente com a proposta.

Ademais, Garotas de Neve e Vidro está entre as melhores obras que li neste ano. A autora toca em temas importantes, mas principalmente quebra a rivalidade feminina que já não deveria existir entre nós. Se você ainda não sabe o que é sororidade – palavra tão marcante em nosso contexto atual, essa obra é um perfeito conceito disto. 

(Fictisney) Branca de Neve e Os Sete Anões

Oi Corujinhas lindas. Finalmente vamos entrar na parte que eu mais esperava no Fictisney que é falar um pouco mais das animações produzidas pelo estúdio e seus afiliados. Muito embora saiba que a Disney tem grandes produções de séries e filmes, vou focar primeiramente nas animações que são responsáveis pela minha grande paixão pela produtora. Vou tentar ir na ordem cronológica e esses posts serão diferentes do Algo à Ver. Em vez de resenhar as películas, vou dar uma opinião breve, falar sobre as músicas e curiosidades envolvendo os filmes e as produções.

Espero que gostem.

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O Filme
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Branca de Neve e os Sete Anões foi a primeira animação à ser lançada em formato de longa-metragem pelo estúdio Walt Disney, sendo baseada no conto clássico “Branca de Neve” dos Irmãos Grymm. Ainda hoje é um dos maiores sucessos do estúdio, principalmente por conta dos musicais.

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O filme iniciou sua pré-produção em 1934. O script inicial possuía vinte e uma páginas roteirizadas pela equipe de Richard Creedon, que desejava que as situações fossem engraçadas não havendo a obscuridade do conto original. Foi Walt Disney quem sugeriu que os anões – seus personagens favoritos no projeto – tivessem nomes e personalidades idênticos. Os nomes dos foram selecionados a partir de um grupo de cerca de cinquenta nomes dos quais foram eleitos os que conhecemos hoje: Mestre, Zangado, Atim, Soneca, Dengoso, Feliz e Dunga, que foi o último a ser escolhido mas se tornou o mais popular dos anões.

Dalva de Oliveira
Dalva de Oliveira

Os desenhos que compunham as animações, foram de responsabilidade do artista conceitual Albert Hurter. As canções foram compostas por Frank Churchill e Larry Morey. As mais famosas são Eu Vou, cantada pelos anões e Sonhando Assim, dueto cantado pelos protagonistas. No Brasil, a canção foi interpretada por Dalva de Oliveira.

No que diz à respeito da construção do enredo, Walt Disney queria que a história focasse bem mais nos anões, mas ficou decidido que se trataria da relação entre a Rainha Má e Branca de Neve. O foco na doce princesa fez bastante sucesso com o público, de modo que ainda nos tempos de hoje, Branca de Neve está no hall dos maiores sucessos da Disney.

Apesar disso, Snow Winter não é uma das minhas princesas favoritas, assim como seu filme não foi algo marcante para mim. Sempre gostei de personagens mais fortes ou pelo mais engraçadas. De modo que a sobriedade da princesa nunca me chamou tanta atenção. Mas claro que devemos ressaltar que o filme é reflexo da sociedade americana de 1937 quando foi lançado. Por ser dono de uma produtora recente, Walt Disney necessitava agradar o público à espera de uma donzela subserviente. Entretanto, apesar dessas ressalvas não posso deixar de observar os louros do filme que tem uma grande relevância não somente em favor da sua produção inovadora aos parâmetros tecnológicos da época, como também no caminho que abriu para a chegada das novas animações.

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Curiosidades
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❉ Branca de Neve e os Sete Anões foi relançado oito vezes nos anos de 1944, 1952, 1958, 1967, 1975, 1983, 1987 e 1993.
❉ No seu quinquagésimo aniversário em 1987, a Disney lançou um romance oficial da história, escrito pela autora infantil Suzanne Weyn.
❉ Em 1993, tornou-se o primeiro filme a ser totalmente digitalizado para arquivos digitais, alterado e gravado de volta ao filme.
Regina-the-evil-queen-regina-mills-35300006-2355-3143.jpg❉ O filme teve um arrecadamento total de US$ 418.200.000 milhões no seu lançamento original e relançamentos sendo uma das dez maiores bilheterias de todos os tempos.
❉ No Brasil, filme foi exibido na televisão aberta apenas uma vez na Sessão de Sábado, da Rede Globo no dia 25 de dezembro de 2010, cerca de 72 anos depois de sua estreia nos cinemas brasileiros.
❉ Houve um total de 106 performances na Broadway com a produção musical da Disney, Snow White and the Seven Dwarfs, (também conhecido como Snow White Live!)
❉ Os personagens de Branca de Neve ganharam vida na série americana Once Upon a Time, tendo Ginnifer Goodwin no papel de Branca de NeveJosh Dallas como Príncipe Encantado e Lana Parrilla como a Rainha Má.
❉ Em 2016, o estúdio anunciou um novo filme sob seu título de desenvolvimento, Rose Red, um spin-off em live-action que será contado sob o ponto de vista da irmã de Branca de Neve, Red Rose.

Espero que tenham gostado meus amores.
Beijos.

 

 

( Resenha ) A Invasão de Tearling – Érica Johansen – Livro Dois

O segundo livro da trilogia escrita por Érica Johansen atingiu um novo patamar deixando a promessa de uma grande finalização. A história evoluiu para nos deixar com água na boca e promover uma leitura inesquecível de uma série que pode entrar para as melhores que já li.

Esta resenha não terá spoiler.
Para garantir isto pule a sinopse.

Título:  A Invasão de Tearling | Título Original: The Invasion of the Tearling| Autora: Érica Johansen | Editora: Suma| Páginas:  400 | Ano:  2017|  Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ❤️ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (1).jpgSinopse: Kelsea Glynn é a rainha de Tearling. Apesar de ter apenas dezenove anos e nenhuma experiência no trono, Kelsea ficou rapidamente conhecida como uma monarca justa e corajosa. No entanto, o poder é uma faca de dois gumes. Ao interromper o comércio de escravos com o reino vizinho e tentar conseguir justiça para seu povo, ela enfurece a Rainha Vermelha, uma feiticeira poderosa com um exército imbatível. Agora, à beira de ver o Tearling invadido pelas tropas inimigas, Kelsea precisa recorrer ao passado, aos tempos de antes da Travessia, para encontrar respostas que podem dar ao seu povo uma chance de sobrevivência. Mas seu tempo está acabando… Nesta continuação de A rainha de Tearling, a incrível heroína construída por Erika Johansen volta para outra aventura cheia de magia e reviravoltas.

“Eu acho que esse é o ponto crítico do mal neste mundo, Majestade; os que se sentem no direito de fazer o que quiserem, de ter o que quiserem. Pessoas assim nunca se perguntam se têm direito. Não consideram o custo para ninguém além de si mesmas.”

A narrativa de Érika Johansen é peculiar. Somos trajados por uma escrita diferenciada, cadenciada e com descrições que fundamentam e parafraseiam a trama. Mesmo se tratando de uma fantasia com uma personagem adolescente, seu texto envolve pouca ação e quase nenhum romance, onde a política se sobressai. Parece algo que George R. R. Martin teria escrito, com o diferencial que Johansen tem os pés fixados em nosso mundo – e não na alta-fantasia -, para recriar a realidade que conhecemos para torná-la algo mais.

Mas muito embora a política de Tearling seja um dos grandes focos da trama, esse livro em questão trata bem mais do passado do que da atualidade. A Invasão de Tearling vai ser pautada dentro dos episódios que levaram à construção do país e, consequentemente ao seu declínio. Assim sendo, Johansen traz explicações sobre A Travessia, fato muito falado mas pouco explicado no livro anterior, mas aonde estão alocados os princípios para a fundação da sociedade utópica idealizada por William Tear que se tornou “do passado”, distópica e tão mais próxima do que o futuro nos reserva hoje.

“Nós sempre pensamos que sabemos o que coragem quer dizer. Se eu fosse escolhido, nós dizemos, eu atenderia ao chamado. Eu não hesitaria. Até o momento que chega nossa vez, e aí percebemos que as exigências de verdadeira coragem são bem diferentes do que tínhamos imaginado, muito tempo antes, naquela manhã clara em que nos sentimos corajosos.”

O livro recomeça alguns dias depois de onde A Rainha de Tearling foi finalizado. Kelsea Glynn está lidando com as consequências de suas escolhas. É bom ressaltar que Johansen não cria uma princesa irreal, que não entende os problemas de suas ações ou que os descobre depois de ser tarde de mais. Mas sim uma personagem sábia, criada para ser rainha que coloca seu povo em primeiro lugar. Por esse motivo, diria que Kelsea é uma das minhas personagens favoritas. Sua presença e sua força são verdadeiras, e suas ideias políticas poderiam realmente dar certo.

Mas como havia aludido anteriormente, o livro tem um foco maior nos acontecimentos pré-Tearling. Na primeira obra existem algumas menções à fatos do nosso presente que haviam causado estranhamento. Como uma sociedade medieval poderia ter acesso aos livros de J. K. Rowling? A única explicação seria ser uma sociedade póstuma. De modo que a pergunta mudou para: como a nossa sociedade moderna mudou para uma sociedade medieval?

Assim, com a prerrogativa de Kelsea precisar entender o antes para enfim conquistar um futuro glorioso, somos apresentados à visões do passado pelos olhos de Lily. Foi doloroso acompanhar a história e adianto a vocês que conteúdos pesados – cenas de violência e estupro – surgiram na trama.

O mundo futurístico manifesta-se como um aprofundamento da sociedade patriarcal. Os homens literalmente dominaram o mundo através dos preceitos religiosos tornando-se donos da mulheres. Lily é casada e tem grande estabilidade econômica. Entretanto, tem que suportar as ameaças veladas do marido que ter os filhos que Lily não deseja. Tudo mundo quando ela descobre um movimento, idealizado por William Tear em busca de um horizonte melhor.

Dessa forma, entre presente e passado Joahansen insere um belo paradoxo que envolve as ações de ambas as mulheres: será que o futuro glorioso, quando liderado por alguém de visão, pode ser seguro?

“O sucesso de uma grande migração humana depende do encaixe de muitas peças individuais. Deve haver descontentamento comum status quo desagradável, talvez até intolerável. Deve haver idealismo para motivar o movimento, uma crença poderosa em uma vida melhor além do horizonte. Deve haver grande coragem diante de probabilidades terríveis. Mas, mais do que tudo, toda migração precisa de um líder, a figura indispensável e carismática que até homens e mulheres apavorados vão seguir sem pestanejar em direção ao abismo.”

A Invasão de Tearling é uma obra surpreendente, cheia de política e desafios. Eu não somente indico o livro para os fãs do gênero, como digo que para todos aqueles que precisam de um vislumbre de para onde a sociedade atual está nos levando, esta obra é um horizonte assustador.

( RESENHA ) Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo – Landulfo Almeida

Conheci o livro Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo no final do ano passado. Como sempre, ignorei a sinopse e olhei diretamente para a capa procurando algo que me chamasse atenção. Pelo título, poderia jurar que se tratava de um livro de romance. Dessa forma, para meu total espanto, quando pus os olhos na imagem de divulgação havia um homem armado, despertando o desejo de entender os aspectos visuais que invocam a obra. E posso dizer que, mesmo tendo demorado mais que o previsto para realizar leitura do livro, valeu a pena cada minuto que passei na Floresta Amazônica.

Título: Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo  | Autor: Landulfo Almeida | Publicação independente | Páginas: 408| Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤| Encontre: Skoob | Amazon

51A-bR7vaYLSinopse: Em um passado distante, estranhas pinturas rupestres são encontradas em uma caverna oculta no coração da Amazônia. Considerado sagrado pelos índios, o local está associado a uma lenda ancestral e a uma descoberta fantástica. Ao longo dos anos o segredo é mantido por uma única família e confere a ela grande poder e fortuna. Nos dias atuais, apenas dois homens, Raphael Roman Dummas e Marcos Cleanfield, têm completo conhecimento sobre a verdadeira natureza da descoberta e ambos têm interpretações diferentes sobre a lenda e suas ramificações. A morte, sem explicação científica, de milhares de pássaros e uma tentativa de assassinato alteram o equilíbrio pacífico de forças sustentado até então por Raphael e Marcos.  Dois amigos, Daniel e Érica, criados em um orfanato como irmãos, sem perceber são catapultados ao epicentro do conflito e se verão cada vez mais embrenhados em uma rede de intrigas e espionagem.  Uma mulher misteriosa, dotada de habilidades incomuns, um inimigo desconhecido, atentados, estranhos eventos naturais, paixões e morte farão com que alianças sejam criadas e destruídas. Dilemas éticos e morais, e a dificuldade de definir onde está a verdade permeiam a história e cada decisão de seus personagens. Na floresta amazônica, durante um confronto repleto de ação, uma revelação aterradora transformará a luta entre Raphael e Marcos em uma batalha pela salvação da humanidade.

Posso contar nos dedos quantos livros nacionais realmente me trouxeram leituras impactantes. Muitas dessas obras, são escondidas sob o véu do anonimato. Ou seja, os autores publicam-se de forma independente, e não importa quanto talento possuam, as editoras deixam que o dinheiro fale mais alto. Não cabe a mim julgar, mas posso dizer que Landulfo Almeida é a prova que muitas vezes talento está escondido atrás dos holofotes, ao invés de à frente deles. O autor é dono de uma escrita poderosa, relevante que criam um misto de surpresas incapazes de deixar o leitor desatento às suas páginas. Sete Pinturas é uma pérola da escrita nacional, calcada para ser inesquecível por aqueles que se deixarem ir além das obras mais famosas.

Sete Pinturas é narrado em terceira pessoa e sempre tive um afinco maior com obras das quais os autores prezam por detalhar imagens, sentimentos e consequentemente situações. Landulfo tem uma escrita detalhista, um tanto rebuscada, mas fluida que ajudam e muito na criação do cenário. Mas principalmente, preenchem as lacunas necessárias a construção do enredo, que por sua vez é muito bem intrincado. Inicialmente, parece que nada faz sentido, até que sucessivamente as peças se encaixam para surpreender o leitor  seguindo um caminho longe do esperado.

Mas o ponto alto da obra, foram os personagens e os dilemas morais compatíveis ao da sociedade atual. Os personagens são palpáveis, cheios de dualidade. Não podemos em ambos, Raphael e Marcos separadamente, mas sim nos dois juntos como parte de um todo. Ambos são carismáticos a ponto de envolverem o leitor em um jogo de mocinho e vilão. Poucas vezes, falando da literatura como um todo, vi personagens tão bem elaborados. E muito embora não sejam apenas eles os donos da trama, para mim. todo brilho e louros da obra são direcionados as suas aparições.

Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo é uma obra sensacional dotada de peculiaridades que deixaram o leitor de queixo caído. Eu recomendo bastante essa obra, não somente pelo suspense, mas por toda a brasilidade que ele apresenta.

 

( Resenha ) Perigo Para Um Inglês – Sarah MacLean – Livro Três

Desde que li o primeiro capítulo de Cilada Para Um Marquês estava ansiosa para ler a história de Seraphina Tabolt, duquesa de Haven. A mais misteriosa das Irmãs Perigosas sempre me cativou e ao conhecer seu íntimo, posso dizer que me Sera deve se tornar uma das minhas mocinhas de época favoritas.

Título: Perigo Para Um Inglês | Título Original: The Day of the Duchess| Autora: Sarah MacLean | Editora: Guttemberg | Páginas:  304 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

51zmfv4nkhlSinopse: Malcolm Bevingstoke, o Duque de Haven, viveu os últimos três anos na solidão auto-imposta, pagando o preço por um erro, e perdendo, para sempre, um amor. Mas Haven precisa de um herdeiro, o que significa que ele deve encontrar uma esposa até o final do verão. Há apenas um problema – ele já tem uma… Depois de anos no exílio, Seraphina, a Duquesa de Haven, retorna a Londres com um único objetivo – encontrar a felicidade, livrando-se do homem que partiu seu coração. Mas o marido lhe oferece um acordo: ela poderá ter sua liberdade, assim que encontrar uma substituta. Isso significa que terá que passar o verão com o marido que ela não quer, mas que, de alguma forma, não consegue resistir. O Duque tem apenas um verão para estar com a esposa e convencê-la de que, apesar do passado, ele poderá tornar o felizes para sempre, uma realidade todos os dias…

“Sera tinha vindo para conseguir seu divórcio, e iria consegui-lo. Ela iria apagar seu passado. E escrever seu futuro. Uma vida que Malcolm não poderia lhe dar. Uma vida que ela tinha que criar para si mesma.”

Este é o melhor livro da série sem dúvidas e um dos mais vistosos de Sarah MacLean. A história elaborada é complexa e vai muito além do esperado não somente por sua premissa, como também para o gênero. Aliás, se posso afirmar uma qualidade que distingue MacLean das demais, será o dinamismo de suas obras que sempre demonstram a mulher como dona do própria destino desde os primórdios ou sua caminhada para tal. Seus livros são claramente feministas, que sempre trazem para o leitor o amor e o desejo como segundo plano. Nunca estamos falando apenas de um casal, mas da individualidade e a necessidade de estar bem consigo mesmo para funcionar ao lado de outra pessoa.

Em Perigo Para Um Inglês, Sarah MacLean só comprova isso. Seu casal principal não tem a necessidade de apaixonar e autora não faz muito esforço para mostrar como isto aconteceu. Seraphina e Malcom são apaixonados, e sua jornada buscará evidenciar a necessidade que ambos tem de perdoar a si mesmos e um ao outro. A palavra que define esse livro é superar: as perdas, as mágoas, as artimanhas, os erros.

“E se eles tivessem uma chance agora? Mas eles não tinham. Não era possível superar o passado. Superar o modo como eles usaram suas armas um contra o outro. E não havia modo de apagar a mais básica das verdades – a vida que eles nunca poderiam ter porque sua única chance tinha desaparecido na neve fria de janeiro, três anos antes.”

Malcom é aquele tipo detestavelmente metido. Imaginem vocês que MacLean abriu mão do mocinho perfeito, criando um verdadeiro membro da aristocracia londrina. Malcom é metido, antipático, se acha o dono do mundo tendo plena consciência do poder ducal. E talvez eu realmente devesse detestá-lo, mas não consigo. A questão é que Malcom representa a aristocracia de uma maneira realista. E se estamos acostumados à personagens notoriamente perfeitos, mas irreais a um contexto, a chegada de Malcom é impactante, porém que provoca uma reação questionadora.

Além desse fator, é certo dizer que se Malcom não fosse assim, suas motivações seriam inconsistentes para a trama. Criado para ser um duque, o homem sempre havia imaginado que as mulheres só o quereriam por causa do título, até conhecer Seraphina e acreditar que ela o via contrário. Mas quando percebe sua traição, Malcom assume uma posição defensiva de alguém que foi traído afastando-a de modo cruel, mas inegavelmente com razão.

A partir desse momento, quando Seraphina vai embora, Malcom percebe que pode ter cometido um erro, repensa nos significados das ações e na falta que sua mulher faz. Um sofrimento que perdura, até que Seraphina volta, e ele passa a fazer de tudo para conquistá-la. No obstante, Sera já não deseja sofrer mais.

“Nós sempre gostamos demais um do outro por instantes, Malcolm. Instantes que nunca foram suficientes para compensar o quanto nós nos magoamos.”

No outro lado da moeda, Seraphina também possuí uma personalidade difícil como resultado de suas origens. Entretanto, se Malcom foi criado para ser um rei, Sera não teve uma vida de luxos e apenas ascendeu a sociedade. As Irmãs Perigosas são assim conhecidas por “fazerem” de tudo para conquistar um bom partido. Frutos da plebe, assumem um lugar de destaque quando seu pai compra o título. Tudo isso explicado no Cilada Para Um Marquês.

O que leva Sera a cometer um grande erro do passado é justamente suas origens e as de seu título, pois não acreditava que Malcom realmente se casaria com ela um dia. Mas se Seraphina tinha medo no passado e só desejava ser feliz ao lado do homem que amava, agora ela precisa se livrar das amarras e conquistar algo que acredita que nunca conseguiria com o casamento: sua liberdade.

Seraphina literalmente cresce de uma menina inocente que acreditava em contos de fada, para uma mulher dona de tudo e todos. Não existe mais artimanhas e segredos. Existe a verdade dura do seu sofrimento e de suas perdas.

“– Você me mandou embora! – ela disse, incapaz de não elevar a voz. – Você ficou de pé na casa que poderíamos ter construído um lar, logo depois do nosso café da manhã de núpcias, e me disse para ir embora. – Quando ele abriu a boca para responder, ela percebeu que ainda não tinha terminado. – E você qual a ironia disso? O mundo todo pensa que você me arruinou antes de casar comigo, quando a verdade é que eu só fui arruinada depois. Você arruinou meus sonhos.”

Além disso, existe duas outras coisas que me fizeram dar uma bela suspirada por esse livro. As Irmãs Perigosas, todas reunidas com um objetivo em comum de fazer Malcom sofrer, o que foi bem divertido. E a mitologia que envolve toda a obra. Se você já leu Sarah MacLean deve perceber que sempre é contado a história de alguma entidade grega. Somente nessa obra, percebi como os romances de MacLean são na verdade releituras dessas histórias.

“Órion não temia a cegueira. Só temia nunca encontrá-la. Nunca ter a chance de convencê-la de que eram um para o outro. De que mortal ou não, ele podia lhe dar tudo. O Sol, a Lua, as estrelas.
— Só que ele não podia — ela sussurrou.

Malcolm hesitou ao ouvi-la, e Sera percebeu que a mão dele se crispava no cabo da tocha, que a luz tremulou nesse momento, no corredor sombrio, como se as palavras pudessem manipulá-la.
— As irmãs de Merópe procuraram Artemis, deusa dos caçadores, pensando que se ela mandasse Órion interromper sua busca, ele a escutaria. Elas juraram devoção à deusa, que foi falar com Órion.

Apesar de algumas passagens um tantinho arrastadas, Perigo Para Um Inglês tornou-se uma de minhas obras favoritas. Um romance de belas proporções que resinifica a liberdade e mostra o caminho árduo para o perdão.

(Fictisney) Mickey Mouse

yHtAWRPQUqK3uWHhdgX56j8NwcIMickey Mouse é um personagem de desenho animado  lançado em em 1928  que se tornou o símbolo da The Walt Disney Company. Criado por Walt Disney e pelo ilustrador Ub Iwerks, muito embora não tenha sido planejado para ser um rato primeiramente. O personagem chamava-se Oswald e era um coelho, mas por conta dos direitos autorais, Disney teve que mudar sua aparência para a de um rato. Inicialmente batizado como Mortimer, mas teve o nome alterado por sugestão da esposa de Disney que considerava-o nome sério de mais para o personagem.

Mickey tinha a estreia prevista o curta Plany Crazy. Mas esta aconteceu somente desenho Steamboat Willie, o primeiro desenho animado sonoro, apresentado no Colony Theatre e, Nova Iorque, em 18 de novembro de 1928, para uma enorme plateia. Naquela época, seus olhos eram dois pontos pretos, suas orelhas eram longas, seu nariz  arrebitado e sua pele, esbranquiçada. No começo de suas aparações, Mickey era um personagem malandro. Ele bebia e fumava, sendo mulherengo e até mesmo roubando beijos. Mas com sua popularidade que surgiu logo depois de sua primeira aparição, Mickey assumiu uma personalidade politicamente correta por volta de 1930.

wayne-allwine-and-russi-taylor.jpgSua dublagem foi desempenhada pelo próprio Walt Disney nos primeiros anos. Depois e por James G. MacDonald que assumiu a vocalização do Mickey até meados de 1977, quando Wayne Allwine assumiu dublando o personagem até 2009. Atualmente, Mickey é dublado por Bret IwanUm fato curioso, é que Wayne Allwine a dubladora da Minie, Russi Taylor, se conheceram durante as dublagens e casaram-se vivendo longo anos juntos.

maxresdefault.jpgDisney considerava Mickey seu amuleto da sorte, pois foi através do personagem que o autor saiu da miséria. Rechaçou diversos comentários sobre “matar” e costumava brincar que amava Mickey Mouse mais do que qualquer mulher. Apesar do grande sucesso de Mickey, sua primeira aparição na televisão foi no especial de natal chamado “One Hour in Wonderland”.

Mickey foi o primeiro personagem de desenhos animados que foi amplamente licenciado para ter produtos já em 1930. sendo os primeiros um livro e um relógio, em 1933. De lá para cá, o rosto de Mickey é visto em diversos lugares, seja em materiais escolares, roupas infantis (e até de adultos) e muito mais.

imagesAlém do personagem original, sua trupe atual é composta por seus melhores amigos que apareceram em seus curtas ao longo das eras, sendo os principais Pluto e Pateta. Em certas histórias, Mickey costumava andar com o Pato Donald – e Margarida – e o grupo mora na mesma cidade, Patópolis.  Sua esposa Minnie aparece em quase todos os seus curtos e outro fato curioso, é que Disney afirmou que Mickey e Minnie são casados em segredo, de acordo por esse motivo algum de seus desenhos animados são de Mickey tentando reconquistá-la após ter feito uma burrada.

Mickey-Mouse-2.jpgTipicamente, Mickey aparece em calções vermelhos e sapatos amarelos, uma homenagem que seu criador fez à Ordem DeMolay, da qual era membro. Mas existem outras vestes famosas, como a do filme Fantasia em que Mickey aparece vestido como mágico.

A marca do Mickey é uma das mais lucrativas, sendo que existem milhares de bonecos, cadernos, roupas e produtos em seu nome. Além disso, Mickey também é o único personagem em desenho animado que possui uma estrela na calçada da fama de Los Angeles.


 

Espero que tenham gostado desse post.
Beijos.

( Resenha ) A Rainha de Tearling – Érika Johansen – Livro Um.

Eu conheci A Rainha de Tearling através do Bookstagram. Muito embora não estivesse nas minhas considerações para este mês ou mesmo este ano, em uma leitora conjunta com a Keth (Parabatai Books), acabei pegando o livro e fiquei surpresa com a quantidade de história que existe sobre as páginas de Érika Johansen.

Título: A Rainha de Tearling | Título Original: The Queen Of Teaeling| Autora: Érica Johansen | Editora: Novo Conceito | Páginas: 352 | Ano: 2017 | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️| Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir.pngSinopse: Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda… ou uma tragédia.

Sempre que leio livros de fantasia ou distopia, que envolvem a criação de novos mundos seja desde o princípio seja com base na nossa sociedade atual, um dos pontos que mais me atraem é a história pré-narrativa: a história do antes que gera um agora e então um depois. À exemplo, temos pré-histórias sensacionais como em Divergente, Jogos Vorazes e A Maldição do Vencedor. Assim sendo, vocês devem imaginar minha grande felicidade ao perceber que a história de Érika Johansen envolve tanto do passado quanto do presente, para criar uma expectativa real do que se pode esperar no futuro.

A narrativa de Johansen prende do começo ao fim. Muito embora seja mais lenta, isso se deve ao fato de que a autora busca quase que constantemente dar ao leitor as bases de seu novo mundo, o que torna tudo mais fácil de ser compreendido quando chega o momento. Deve-se ressaltar que o mundo ao qual Kelsea vive é pós o nosso, muito embora percebamos uma grande regressão no que diz respeito à conhecimento e tecnologia. Eu mesma demorei a entender isso, e sem a densidade da narrativa, suponho que não teria compreendido.

Além disso, é admirável o trato que Johansen dá aos seus personagens em um sentido totalitário da história. Ninguém é cem por cento bom ou ruim, e até mesmo o poder é bem colocado entre a rainha de Tearling e quem a cerca. Essa estrutura narrativa me lembra George R. R. Martin e A Guerra dos Tronos, pois tanto Johansen quanto Martin contam a história de um reino e não de um personagem, muito embora para Tearling tenha um número reduzido de personagens em comparação.

Entretanto, o maior crédito da obra está na personagem principal e sua construção. Kelsea não é forte à princípio apesar de sua busca para ser amada pelo povo e assim se tornar digna de usar a coroa Tear muito alem do sangue. É uma personagem forte, intrigante e que trilha um grande caminho para conquista da anti-estima. E talvez isso tenha sido um grande marco na obra. A fixação que Kelsea tem com beleza que a torna diferente das protagonistas lindas e maravilhosas existem aos montes.

A Rainha de Tearling é um começo excepcional para uma trilogia que caminha para se tornar inesquecível. Um livro forte que trás ensinamentos sobre poder, mas principalmente sobre a coragem que devemos ter para alcançar aquilo que acreditamos.

( Livrosofia ) Romances

Oi Corujinhas, como vão?

No Livrosofia de hoje vamos dar continuidade a explicação dos gêneros românticos. O post de hoje será voltado aos romances antigos: clássicos, o histórico e  o de época. Embora muitas de vocês já devam saber a diferença básica entre eles, para quem está começando e não quer entender melhor a definição a ideia é ajudar. Espero que gostem do post, afinal, são alguns dos meus gêneros favoritos.

◆══════════●|| [ Romance Histórico ] ||●═══════════◆

segunda-guerra-mundial-historia-causas-e-consequenciasO Romance Histórico é assim definido por se passar antes da guerra do Vietnã ou da Segunda Guerra Mundial variando entre as editoras. O enredo será concentrado no desenvolvimento do herói e heroína, dentro de um cenário histórico popularmente conhecido que deverá surtir um efeito sobre esses personagens. O romance romântico fica caracterizado como uma trama ou uma subtrama a parte central da obra, o historicismo.

Assim sendo, torna-se fácil definir as obras que pertencem a essa categoria, pois o fator histórico é abrangente na trama. Mas para fazer a classificação podemos levar em consideração alguns pontos. O fato histórico deve ser o ponto de partida para a construção da ficção. Os personagens devem apresentar valores éticos e morais da época, ao passo que o autor deve procurar recuperar estruturas sociais, culturais, políticas e estilos referenciais ao passado. A narrativa é construída no tempo passado e as situações factuais devem ser legitimadas através de documentos e referências

a garota que voce deixou para trasA Garota Que Você Deixou Para Trás da escritora britânica JoJo Moyes tem boa parte da obra pertencente à essa categoria, pois tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial, onde os personagens tem suas vidas modificadas por tal acontecimento. Os valores sociais da época também estão presentes e é certo afirmar quem sem o historicismo não haveria enredo. Mas é bom ressaltar que essa obra não é considerada do gênero completamente, pois foi combinada ao drama. O Tempo e O Vento de Érico Veríssimo é outro exemplo de romance histórico, pois o Terra-Cambará tem suas vidas e os costumes modificados pelos acontecimentos da guerra do Paraguai contra o Brasil.

◆══════════●|| [ Romance de Época ] ||●═══════════◆

moda feminina 1869O Romance de Época tem uma estrutura única. Não tem afinco com datas e nem faz referências à fatos históricos importantes. Muito menos se preocupa em mostrar como se comportava um povo em determinado momento, para questões além das factuais. Os livros desse gênero – em suma maioria – se destacam por aludirem a sociedade londrina no período vitoriano (de junho de 1837 a janeiro de 1901) valorizando a moda, etiqueta social, passeios comuns como jantares, festas, campos ou teatros.

nove regras a ignorar antes de se apaixonar

Entretanto, muito embora a primeira vista pareçam obras frívolas, essas obras costuma destacar a o casamento por conveniência, as amantes, as diferenças entre as classes sociais – nobres versus plebeus -, mas principalmente a fragilidade feminina que espelha as diretrizes atuais. Os romances da autora estado-unidense Sarah MacLean por exemplo, costumam ter protagonistas firmes que estão além das convenções sociais.

É interessante perceber que muitas autoras de romances de época utilizam como pano de fundo um mesmo ambiente, de modo que atitudes de um personagem influenciam diretamente na vida de outros. MacLean, por exemplo, escreveu três séries quase que complementares. A série Os Números do Amor se passa dez anos antes de O Clube dos Canalhas (onde duas protagonistas aparecem como coadjuvantes na anterior). que por sua vez se passa um ano antes da série Escândalos e Canalhas, onde uma de suas coadjuvantes devem estar presentes em sua próxima série Barenuckle Bastards.

◆══════════●|| [ Romance Clássico ] ||●═══════════◆

A determinação de um romance como clássico é variável e subjetiva. Sua principal diferença entre os outros gêneros, tanto dos aqui citados como dos demais literatos, é sua capacidade de ser atemporal. Se o romance histórico é assim definido por se passar em uma época anterior a do autor, o romance clássico será aquele que ultrapassa as barreiras do tempo tornando-se atual apesar de sua data de nascimento. Romance clássicos costuma ser celebrados por acadêmicos, críticos e professores, que mesmo se não gostarem da obra em seu cerne principal, as entendem como leituras obrigatórias para qualquer pessoa que pretenda alguma seriedade em relação a literatura e a história que a envolve.

orgulho e preconceitoPor certo, não cabe ao crítico considerar um Clássico superior aos outros, apenas ressaltar qualquer tentativa de esquecê-lo pois esse romance será base para a construção de outros (que podem ou não serem considerados superiores).

Dando um exemplo pessoal de tal entendimento, posso afirmar de modo categórico que não encontrei-me na leitura de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Entretanto, não posso afirmar que tal livro deva ser ignorado pois sua mocinha, Elizabeth Bennet, tem uma personalidade facilmente encontrada como inspiração dentro de outros enredos. Dessa maneira, um romance clássico é um produto de seu próprio tempo e das críticas sociais que seus livros refletem entre a realidades usada para contrapôr um cenário social e político da sociedade de determinada época. Ou seja, a literatura clássica serve para ensinar aos leitores algo a respeito de seu próprio mundo.

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Espero que tenham gostado. Beijos.

 

 

 

( Resenha ) O Trono Lobo Gris – Cinda Williams Chima – Livro 03

O terceiro livro da série iniciada em O Rei Demônio acabou sendo uma grande decepção. Não seria uma eufemismo dizer que tudo poderia ser resumido em dois capítulos e estou estarrecida com a maneira com o qual Cinda Williams Chima deu continuidade à brilhante história que tinha em mãos.

Título:  A Coroa Escarlate | Título Original: | Autora:  Cinda Williams Chima | Editora:  Suma | Páginas: 256 | Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

images440867043.jpegSinopse: Han Alister pensou que já havia perdido todas as pessoas que amava, mas, ao encontrar Rebecca Morley à beira da morte nas Montanhas Espirituais, percebe que nada é mais importante do que salvá-la. O preço que paga por isso é alto, e nada poderia preparar Han para o que descobre em seguida: a garota que ele conhece pelo nome de Rebecca é, na verdade, Raisa ana’Marianna, a princesa-herdeira de Fells. Magoado e se sentindo traído, Han tem certeza de que não há futuro para ele ao lado da herdeira do trono. Além do mais, ainda nutre ódio pela família real, que permitiu que sua mãe e irmã fossem assassinadas. Enquanto isso, forças parecem se unir para impedir que Raisa suba ao trono. A cada atentado contra sua vida, ela se pergunta quanto tempo terá até que seus inimigos vençam. Com ameaças surgindo de todos os lados, Raisa só pode contar com sua inteligência e força de vontade para sobreviver – e mesmo isso pode não ser o bastante quando a força do destino é cruel e inevitável.

A narrativa de Chima é bastante curiosa. Muito embora eu não tenha gostado da maneira com o qual a evolução dessa obra se deu, ainda sim gostei bastante da escrita da autora. Em realidade, foi uma das poucas coisas que me fizeram ativas durante a leitura. A necessidade de ter sempre mais da obra colocada em prática, o que claro deixa tudo mais fácil de ser digerido.

E ironicamente, esse foi um dos meus maiores problemas com a obra. Essa sensação de necessidade costuma levar à um apice da leitura. Quando esse apice não chega, vem uma frustração e o sentimento da obra não ter sido frutífera ou algo que valesse à pena de ser. E muito embora A Coroa Escarlate tenha seus méritos, essa espera  que nunca acontece aliada o final adrupto dá a sensação de que tudo poderia ser resumido em alguns poucos capítulos.

Mais da metade do livro se passa para que Han encontre Raisa e os dois possam retornar à Fells. Como se em um círculo vicioso, voltamos ao livro dois os eventos parecem se repetir. Nesse meio tempo, acredito que a autora poderia ter expandido seu círculo narrativo pois tudo ficou bastante reduzido sem nada de relevante acontecendo. Sabe aquela cena do Dr. Doolittle quando o cachorro diz: faixa-faixa-faixa-faixa? Basicamente aqui nós temos um dejavu: floresta-cavalo-floresta-cavalo.

Quando finalmente nós conseguimos sair do círculo, a Chima conseguiu destruir meu respeito pelo seu melhor personagem. A atitude foi tão hipócrita que não consigo mensurar. Imaginem vocês que existe algo que vocês escondem pois poderia ser perigoso para os outros se eles soubessem. Quando você encontra alguém na mesma situação, o certo seria dar apoio e não julgar. E é exatamente isso o que o personagem faz fazendo-me criar um ranço tão grande que seria capaz de matá-lo.

Mas para não dizer que A Coroa Escarlate foi uma leitura perdida, o vislumbre do jogo pelo trono que está por vir no último volume deixou-me ansiosa para a continuação. Eu só espero que Chima tenha muito mais à apresentar que florestas e cavalos.