( Lista ) 05 Personagens Que Marcaram

Oi Corujinhas. Mais uma vez vamos as listas aqui no blog parceria com a Kethlinda (Parabatai Books). Dessa vez nós vamos falar de cinco personagens que foram muito importantes na nossa vida, nos marcando de algum jeito e deixando grandes lições. Pois a verdade é que bom das leituras é sermos marcados por elas de várias maneiras possíveis. No final da lista, comentem qual personagem marcaram vocês também.

Vamos lá?

Garota Exemplar capa1. Amy Dunne Garota Exemplar.

Na resenha de Garota Exemplar, eu havia falado um pouco dos objetivos dessa personagem e da maneira com o qual ela me marcou e me fez enxergar o mundo por novos ângulos. De certo modo, Amy  foi além das amarras sociais comuns as mulheres de nosso século, que estão dispostas a fingir serem alguma coisa, para agradar um parceiro, um amigo, ou qualquer que faça parte de sua vida. Mas se tem algo que todos aprendemos com o tempo, é que não podemos mudar quem somos se não for por nós mesmos. Dessa forma, a lição que Amy dignamente nos ensina através de seus atos questionáveis é nunca mudar por alguém, porque a felicidade só vem se o amor for absorvido por alguém real.

Harry-potter-e-a-pedra-filosofal-livro.jpg2. Severo SnapeHarry Potter

Engraçado pensar que muitas pessoas não entendem como alguns “Potteheads” tem um amor tão grande pelo personagem de cabelos pretos e nariz adunco, de nome Severo Snape. Sempre vejo comentários que demonstram estranheza por suas bondades terem aparecido apenas no final do último livro. Mas a questão do personagem não é seu lado oculto, mas a maneira com o qual elas se apresentaram se tornando bem maior que um homem mal interpretado. Pois Severo foi realmente um personagem maldoso em um passado distante e um homem amargurado até sua morte, contudo o que lhe motivou a vida e ajudar aquele que significava todas as perdas de sua vida, foi o amor tenro que sentia por Lilian Evans. Por isso, ao criar este homem J. K. Rowling refaz o significado de redenção ao demonstrar que, somente quando chegamos ao verdadeiro amor, podemos nos tornar alguém melhor.

o odio que voce semeia3. StarrO Ódio Que Você Semeia

Sendo a mais recente personagem dessa lista, Starr foi uma das minhas  favoritas do ano passado. Isto porque foi marcante ver sua trajetória como um todo, do momento em que ela saiu da posição de sem voz para o alcance de sua força. Acredito que muitas pessoas que leram esse livro também ficaram impressionadas com a evolução de Starr, porque Angie Thomas não contorna a verdade com uma “mentira” ou uma situação improvável, mas algo real que nos faz acreditar na força de sua personagem bem como na veracidade de sua história.

o sol é para todos4. AtticusO Sol É Para Todos

Faz anos que li O Sol É Para Todos. Na época eu era uma adolescente em plena formação social e individual. Então imagine minha surpresa ao encontrar não somente Atticus, mas uma profusão de personagens que permeiam as páginas de Harper Lee. O Sol É Para Todos fala sobre preconceito, mas diferentemente de todos os livros que tem como este o tema, não foca apenas no preconceito racial, mas de classe, personalidade, velhice, loucura, julgamento… Atticus, o melhor pai fictício do mundo, ensina a seus filhos e ao leitor os caminhos pelo qual devemos superar inúmeras barreiras que nós mesmo nos impomos ao longo dos anos e que tanto jogamos sobre as outras pessoas.

nove regras a ignorar antes de se apaixonar5. Calpúrnia Hartwell – Nove Regras A Ignorar Antes de Se Apaixonar.

Não é surpresa para ninguém que romances de época fazem parte dos meus queridinhos. Sendo meu terceiro gênero favorito, por inúmeras razões, esses livros me marcam por apresentarem mocinhas a frente do seu tempo. Mas não somente isso, muitos livros exalam força e deixam claro que não importa de onde você seja, sempre pode-se ir além dos parâmetros da sociedade. As personagens de Sarah MacLean tem sido muito marcantes justamente por esse poder feminino que tanto trazem. Apesar de várias outras terem conquistado meu coração nos últimos tempos (estou falando com você, Pippa Marlbury kk), Callie continua como minha heroína favorita. E não somente por sua força, mas também por nunca ter mudado quem era, apenas ter descoberto a verdade sobre si mesma.

Eu sei que essa lista ficou bastante parecida com algumas que já tínhamos feito nos nossos blogs, pela repetição de alguns livros. Mas a verdade é que quando um livro marca, ele marca para sempre. Espero quer tenham gostado. E deixem nos comentários: qual personagem mudou sua vida???

Beijos.

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( Resenha ) P. S. Ainda Amo Você – Jenny Han – Livro 02

A inesquecível Lara Jean está de volta em mais um romance fofíssimo sobre amadurecimento ao qual deverá lutar contra as próprias inseguranças.

Título: P. S. Ainda Amo Você | Título original: P.S. I Still Love You | Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei #02 | Autora: Jenny Han | Editora: Intrínseca | Páginas: 204Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Amazon| Saraiva

transferir (1)Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. Para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários. Em “Para todos os garotos que já amei”, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em “P.S.: Ainda amo você”, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois

“Eu posso ver agora que é as pequenas coisas, pequenos esforços, que mantêm um relacionamento. E agora eu sei também que, de alguma medida que eu tenho o poder de machucá-lo e também o poder de torná-lo melhor. Esta descoberta me deixa com um inquietante, estranho tipo de sentimento em meu peito, por razões que não posso explicar.”

É impressionante como Jenny Han consegue transmitir verdades sobre a vida como ela é. Eu amo seus livros e com certeza quero ler bem mais da autora nos próximos anos. Ela consegue resgatar em mim os sentimentos da minha adolescência, pois por ser uma garota comum, nunca me considerei exatamente bonita e sempre tive alguns probleminhas de insegurança que já superei (amém!). Por isso, ao me deparar com P. S. Ainda Amo Você fiquei surpresa ao me identificar tanto com Lara Jean. Se antes eu já gostava e muito da protagonista da série iniciada em Para Todos Os Garotos Que Já Amei, agora eu a percebo como uma verdadeira amiga ao qual eu poderia trocar inúmeras confidências.

Você não pode estar ligado a alguém, não realmente, com segredos entre vocês.

Narrado em primeira pessoa, meu único problema com este livro foi a demora dos acontecimentos. Eu senti falta de mais mobilidade na narrativa pois ela parecia estática e consequentemente bastante lenta. Por outro lado, isso abriu espaço para as reflexões de Lara Jean acerca do que daquilo que estava acontecendo. É claro que isso ajudou a aproximação com a protagonista, mas também deixou a leitura morna e muitas vezes me vi tentada a abandonar o livro. Mas é obviamente não abandonei, e consequentemente gostei muito da leitura.

“Como globos de neve, você agita eles para cima, e por um momento tudo está de cabeça para baixo e brilho em todos os lugares e é apenas como mágica, mas, em seguida, tudo se instala e vai voltar para onde ele deveria estar. As coisas têm uma maneira de se acomodar.”

O que eu mais gosto nos livros de Jenny Han, principalmente essa série em questão é a forma com o qual a autora consegue assumir o papel de adolescente e nos transportar para as indecisões daquela época. Através de Lara Jean, não somente os conflitos do primeiro amor (aquele friozinho na barriga) são questionados, mas também a maneira com o qual nos relacionamos com o mundo.

De modo sútil, ao entendermos Lara Jean também caminhamos ao encontro de nós mesmos e as nossas convicções. Lara Jean é doce e inocente, mas não realmente ingênua. Ela percebe as coisas, apenas não sabe lidar com elas, de modo que Han não somente nos mostra descobertas, como nos coloca diante de situações. O que é magnifico já que aqui entram também o segredo do sucesso de suas obras: dar a todos (meninos, meninas, homens, mulheres, idosos e crianças) alguém com quem se identificar e quem sabe não se sentir tão sozinho em relação aos experiências do presente, do futuro e do passado.

“As pessoas entram e saem de sua vida. Por um tempo eles são o seu mundo; eles são
tudo. E então um dia eles não são. Não há como dizer quanto tempo você vai tê-los por perto. É as despedidas que são difíceis.”

Apesar da inclusão de um triângulo amoroso (mais um!) e de algumas atitudes questionáveis dos personagens, mais uma vez Jenny Han conseguiu escrever um livro que demonstra sua capacidade de alentar o leitor. P. S. Ainda Amo Você é uma história linda que eu super indico a todos aqueles que querem revisitar o passado, mas principalmente encontrar alguém que não julgue e compreenda perfeitamente a pessoa que você foi, é ou poderá ser.

(Algo À Ver) Todo Dia – Michael Sucsy

Uma história de amor bonita sobre encontrar alguém que valorize cada pedacinho de quem nós somos. Em tempos onde ser adolescente em um mundo onde os esteriótipos são valorizados, um filme como Todo Dia carrega significados belos para a conquista de autoconfiança.

Título: Todo Dia | Título original: Every Day | Direção: Michael Sucsy | Elenco: Angourie Rice, Justice Smith and Debby Ryan | Duração: 98m | Ano: 2018 | Distribuição: Paris Filmes | Avaliação: 🎬 🎬 🎬🎬every day

Sinopse: O filme, baseado no livro homônimo de David Levithan, conta a história de Rhiannon (Angourie Rice) uma garota de 16 anos que se apaixona oi por uma alma misteriosa chamada “A” que habita um corpo diferente todos os dias. Sentindo uma conexão incomparável, Rhiannon e A trabalham todos os dias para encontrar um ao outro, sem saber o que ou quem o próximo dia irá reservar. Quanto mais os dois se apaixonam, mais as realidades de amar alguém que é uma pessoa diferente a cada 24 horas afeta eles, levando o casal a enfrentar a decisão mais difícil que eles já tiveram que tomar.

Antes de assistir Todo Dia, meio que passou pela minha cabeça ler o livro de David Levithan. Mas deixa eu contar uma coisa engraçada: muitas vezes prefiro assistir filmes baseados em livros antes de realizar leituras. Okay, isso é super estranho eu sei, mas acontece que os filmes costumam me dar o gás que faltava para a leitura ou me desmotivar totalmente. Porque mesmo sabendo que não existe filmes idênticos a obras pelas diferenças no estilo de produção, muitas vezes o teor original é mantido e tais inquisições me dão certa garantia de gostar ou não de determinado livro. Ao assistir Todo Dia o efeito foi totalmente positivo apesar do filme nem tanto. Por achar a película rasa e um tanto mal explorada em determinados aspectos, agora sinto uma vontade imensa de ler o original e quem sabe ganhar explicações mais fortes sobre a história.

Todo Dia tem uma boa direção que entre parte bem humoradas, reflexões e o sentimental consegue dar fluidez a história que esta sendo contada. O diretor Michael Sucsy tem uma pegada um tanto minimalista ao qual mesmo não inovando na condução do filme, consegue, através da fotografia aliada e sonoplastia transmitir sua mensagem. Em um esquema de cores básico, que vai do mais claro ao mais escuro, o filme traduz o amor e as mudanças ao qual os protagonistas passam ao longo da película como forma de deixar o espectador mais próximo dos sentimentos do personagem. Tal recurso ajudou bastante a criar o clima do filme e as sensações que somos levados a ter.

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Mas apesar da boa direção, a produção de elenco não é favorável tendo as atuações não compatíveis com o grau que estava sendo apresentado. Angourie Rice parece desconfortável na pele de Rhi e não chega a transmitir grandes emoções. A atriz é pouco expressiva o que dificulta o emaranhamento do receptor com sua personagem. Já os diversos atores que interpretaram A apesar de manterem algumas características fundamentais de personalidade, pecam no uso dos trejeitos e entonações de voz que não convencem a serem as mesmas pessoas. Claro existe um entendimento tácito claro na narrativa que A tenta não modificar (muito) a vida daqueles que “toma”. Mas deve-se ressaltar que personalidade é algo particular de cada alma, sendo assim é bem estranho observar as mudanças quem A é sofre em favor das mudanças de corpo.

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Apesar desse fator negativo crucial, Todo Dia apresenta boas lições de amor e autoconfiança quando nos concentramos em Rhiannon e na gradativa mudança que apresenta a medida que o filme se desenrola. É interessante perceber como Rhiannon ganha mais personalidade a medida que se valoriza como ser humano e como mulher. O Sua trajetória é feita para que adquira um descobrimento de si mesma. Se antes existia uma menina incapaz de se impor, agora existe uma mulher decidida a lutar pelo que deseja.

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Indico a todos que desejam um romance bonito que nos faz sair de nossa realidade, mas informo para que não o assistam se tiveram grandes expectativas já que Todo Dia não chega ser um filme marcante, mas ousa trazer pequenas metáforas e grandes questionamentos sobre se apaixonar verdadeiramente quando aprendemos a amar e não uma aparência.

(Livrosofia) Fantasia

Oii Corujinhas. Depois de longos posts sobre gêneros finalmente chegou o momento de falar separadamente de cada um. É provável que eu fale somente dos gêneros que tem maior destaque entre todos os subgêneros do romance pela quantidade de conteúdo que apresentam. Mas acredito que eu vá falar um pouco sobre as variações de cada gênero nos posts referentes a eles. Entretanto… Vamos deixar para mais tarde.

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O subgênero Fantasia esta dentro do gênero ficção que é divido entre fantástico, cientifico e horror e é definido pelo uso de fenonemos não existentes em nosso mundo como o sobrenatural e seres mágicos sendo estes como elemento primário do enredo, tema ou configuração. Vocês devem se lembrar da postagem que fiz falando um pouco sobre subgêneros, mas tenham em mente que essa classificação é refletida de modo não tão frequente na história. Aquilo que aparece em primeiro plano, como localização e narrativa é que denomina o gênero principal ao qual uma determinada obra pertence.

Harry Potter DobbyEm muitas obras dentro da Fantasia há existência de criação de mundos mágicos, itens ou fenômenos que permitem a diferenciação entre um mundo real e o imaginário. Para distinguir uma fantasia dos gêneros científicos e horror, deve-se perceber a expectativa ao qual se dirigi os temas onde o da ficção fantástica está mais voltado a intrigas e a personagens heróicos. Não enquadrado dentro de parâmetros da literatura, as ações fantásticas  acontecem em divergências as noções de realidade muito embora não seja regra. Na saga Harry Potter, por exemplo, as cenas mágicas acontecem também dentro de mundos não ficcionais sendo eles parte de nossa sociedade. Em muitos casos existem explicações de intervenções divinas, magia ou de outras formas sobrenaturais.

game-of-thrones-season-7-fan-posters-16.jpgEm outros casos, naquilo que é chamado de Alta Fantasia, a história acontece em um mundo fantástico completamente diferente do nosso em que as leis naturais do nosso mundo não regem, em suma maioria o mundo imaginário. É interessante perceber que na alta fantasia, na criação do novo mundo sempre existe a junção de três pilares semelhantes ao nosso sendo eles a politica, a religião e a formação da sociedade. Muito embora quase todas as fantasias compunham seu mundo sob os parâmetros da monarquia, o modo com o qual a política, a religião e a sociedade se dividem é próprio. Tomando As Crônicas de Gelo e Fogo por exemplo, George R. R. Martin faz sua narrativa sobre a forma mediaval. Contudo, cada reino, mesmo tendo que ser fiel a coroa, está muito mais ligado a seu soberano do que ao rei. Assim como a religiosidade que muda de um continente para outro.

5538001bc8da644b4e16a46ef7f637c3A característica mais marcante da fantasia é a independência total da ciência ou tecnologia como conhecemos. Nos livros de fantasia, muitos universos possuem sua própria ciência ou simplesmente não se prendem a conceitos reais. Apesar disso, é difícil fazer classificalção completa desse gênero pela versatilidade que as obras apresentam por apresentarem elementos de outros. Muitas fantasias podem ser confundidas com romance ou com horror, como é o caso de A Hospedeira aos quais muitas pessoas o determinam como pertencente a ficção cientifica, muita embora a tecnologia utilizada pelas Almas (alienígenas) sejam próprias deles o que extingue essa possibilidade e classifica a obra como ficção fantástica.

Apesar das variações, posso dizer que a Fantasia ou Ficção Fantástica é meu gênero favorito pois o vejo como o mais completo de todos. Muito embora o romance tenha bons personagens e o suspense gratas surpresas, ler uma Fantasia me causa uma emoção diferente por ter tudo isso aliado a acontecimentos políticos e novos mundos. São coisas que acredito fazerem a diferença dentro de uma obra pela inovação proporcionada. Dentre os temas abordados, a entonação entre o bem e o mal parece sempre ganhar maior destaque. Mas aquilo que faz uma Fantasia ser bem mais forte é o estimulo de entender como, reféns ou não de poderes mágicos e criaturas sobrenaturais, estamos dispostos a lutar com unhas e dentes por aquilo que acreditamos.

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Espero que tenham gostado Corujinhas. Em breve vou trazer bem mais gêneros para vocês. Caso vocês tenham preferencias sobre quais gostariam de ver primeiro por aqui, basta deixar nos comentários que vou amar mostrá-las para vocês.

Beijos.

 

( Resenha ) Até Que A Culpa Nos Separe – Liane Moriarty

Em mais um livro sobre segredos e mentiras, Liane Moriarty vai mais uma vez encarar o leitor para perguntar: Você esta realmente seguro de todas as decisões que tomou na vida? Você é feliz com suas escolhas?

Título: Até Que A Culpa Nos Separe | Título original: Truly Madly Guilty | Autora: Liane Moriarty | Editora: Intrínseca | Páginas: 464 | Ano: 2017 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Amazon| Saraiva

ate que a culpa nos separe

Sinopse: Amigas de infância, Erika e Clementine não poderiam ser mais diferentes. Erika é obsessivo-compulsiva. Ela e o marido são contadores e não têm filhos. Já a completamente desorganizada Clementine é violoncelista, casada e mãe de duas adoráveis meninas. Certo dia, as duas famílias são inesperadamente convidadas para um churrasco de domingo na casa dos vizinhos de Erika, que são ricos e extravagantes. Durante o que deveria ser uma tarde comum, com bebidas, comidas e uma animada conversa, um acontecimento assustador vai afetar profundamente a vida de todos, forçando-os a examinar de perto suas escolhas – não daquele dia, mas da vida inteira. Em Até Que a Culpa Nos Separe, Liane Moriarty mostra como a culpa é capaz de expor as fragilidades que existem mesmo nos relacionamentos estáveis, como as palavras podem ser mais poderosas que as ações e como dificilmente percebemos, antes que seja tarde demais, que nossa vida comum era, na realidade, extraordinária.

“Todos os seus segredos ficavam guardados lá dentro, atrás da porta da frente, que nunca podia ser totalmente aberta. O pior medo delas era que alguém batesse à porta.”

Mais uma vez me rendi a um livro de Liane Moriarty. Estou quase fazendo uma carteirinha de fidelidade com a autora já que sinto uma vontade maior cada vez mais ler e ler os livros da autora. Apesar de não poder dizer que seus livros são meus favoritos em todo mundo, posso considera-los numa posição de destaque já que de uma forma ou de outra eles me marcam profundamente pelos assuntos abordados em suas páginas. Segredos e acontecimentos são apenas o começo de sua narrativa que sempre vem com o intuito de despir nossas mentes e nos impor a pensar nas consequências da vida que escolhemos.

Com sua clássica narrativa impiedosa, Liane Moriarty conduz um livro cheio de pequenas situações que culminam em um grande pensamento existencial. Uma das coisas que mais gosto na autora é o sentimento de vida-comum que permeia todo seu esquema narrativo. Trazer a vida corriqueira para dentro de uma obra parece ser uma tarefa fácil pois são situações e conflitos que todos vivemos cotidianamente, logo não há muito que inventar. Mas a verdade é que muitos autores não conseguem fazer isso por permanecerem em um hiatus narrativo que ou vai de encontro ao exagero ou se reserva a mesmice. O mesmo não acontece com a escrita de Liane que consegue manter um fluxo continuo de situações comuns mas com um toque dinâmico fundamental para preservar o interesse do leitor no livro.

“Era interessante como fúria e medo podiam ser tão parecidos.”

Como em todos os outros livros de Moriarty, o principal desta obra se faz inesquecível pela presença dos personagens destacados. Até Que A Culpa Nos Separe é narrado em terceira pessoa em sete visões diferentes. O ponto de encontro de suas narrativas é que cada um a sua maneira carrega um sintoma de culpa pelo acontecimento no “Dia do Churrasco“. Erika e Clementine são as protagonistas, mas a inserção dos pensamentos de seus maridos e vizinhos aumenta a perspectiva total das consequências advindas desse dia. Assim Liane consegue denotar coisas pequenas que começam a implodir em algo maior variando de acordo com o narrador do momento. O engraçado é perceber como tudo não passa de picuinhas: sentimentos mesquinhos que revelam a culpa, mas principalmente que faz com que cada uma daquelas pessoas sinta-se responsável pelo fato e por tudo aquilo que jogaram em cima do outro. Pois não basta se culpar, todos sentem necessidade de apontar o dedo. A culpa e o ressentimento se misturam deixando o amargor da verdade subtendida cada vez mais amostra.

“Mas não conseguiam parar. Era como pedir que prendessem a respiração. Só conseguiriam fazer isso durante determinado tempo até serem obrigados a respirar outra vez.”

Além do acontecimento no “Dia do Churrasco”, o tipo de amizade que existe entre Erika e Clementine é um fator dentro da história que aumenta a significância das coisas. Um ponto interessante é perceber que Liane constrói duas mulheres opostas unidas pelo destino, por assim dizer. No começo da obra eu me perguntei porque elas continuavam amigas já que claramente não pareciam gostar uma da outra. Mas com o passar do tempo, comecei a notar o interesse por um pedaço da outra era muito maior que a repulsa que pareciam sentir. Erika que não possui nenhuma outra amiga desenvolve uma relação de dependência cruel com Clementine. Ela precisa daquela amizade para se sentir não solitária, mesmo tendo plena consciência de que sua “amiga” não gosta dela. Mas a necessidade de ter alguém além do marido fala mais forte do que seu amor próprio. Já Clementine, por outro lado e sem saber se essa era realmente a intenção da autora, não conseguir sentir outro sentimento que não fosse ódio. Detestei-a por ser mesquinha, por não gostar de Erika mas usa-la Erika como ponte para se sentir benevolente de ser amiga de uma estranha, para se sentir mais autêntica por ter em constate alguém tão retraída, mais sentimental porque Erika é mais realista, mais desejada por ser mais bonita e mais superior por ser capaz de ser tudo isso e la Erika não ser nada. Clementine mostra uma face vil ao qual não consegui me penalizar pelo seu espírito pequeno, mas apenas consigo me resguardar ao ódio pois acredito que mentira de uma amizade que se diz verdadeira é mais decepcionante que uma traição.

“Seu egoísmo era um segredo sórdido que precisava esconder a todo custo.”

Até Que A Culpa Nos Separe é um livro fantástico que detém um grande poder sobre o leitor. Mesmo possuindo algumas passagens lentas é uma obra que alcança as barreiras da ficção chegando a realidade por nos conduzir de volta às nossas escolhas. Mais uma vez estou encantada pela narrativa de Liane Moriarty e eu indico muito a todas as pessoas que querem sair de sua zona de conforto e ir além de suas convicções já que é exatamente isso que a autora nos propõe a fazer.

“Era interessante o fato de que um casamento se tornava instantaneamente propriedade pública assim que aparentava problemas.”

 

( Anatomia Literária ) Capa e curiosidades sobre a duologia A Fúria e a Aurora de Renée Ahdieh

Oi Corujinhas, sejam muito bem vindas a mais um Anatomia Literária que hoje está voltada a duologia publicada no Brasil pela editora Globo Alt, A Fúria e A Aurora de Reneé Ahdieh. Esse post veio a pedido da Gisele do blog Abdução Literária que tem contribuído bastante para esses posts. No comentário em questão era referência a essa duologia e também aos livros da trilogia A Rebelde do Deserto de Alwyn Hamilton, mas como eu ainda não terminei essa segunda vou focar apenas na primeira deixando a de Hamilton bem mais para frente.

Espero que gostem. Vamos lá?

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As Capas
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A duologia A Fúria e A Aurora reconta a história de Sherazade e o sultão que matava suas esposas na primeira manhã de seu casamento presente no livro As Mil e Uma Noites originalmente escrito por uma legião de narradores anônimos. Renée Ahdieh reescreveu a história tendo como base os países do oriente e o gênero fantasia enrolado no romance. Tratando de temas como assassinato, rebelião e magia, a autora conseguiu conquistar um grande público que se apaixonou por seu casal de protagonistas.

A Fúria e a auroraA Fúria e a Aurora tem uma capa em tons de azul que representam a frieza do rei, a monotonia da cidade que está a mercê dos seus caprichos e a depressão do seu povo que chora pelas garotas perdidas. Os arabescos acima da capa são representações da cultura árabe que é presente no livro que tem como principal característica a interdependência do sistema. Nesse sentido, seria a afirmação do país que está quebrado pois, apesar de terem harmonia são divididos em dois lados quebrados pelas escolhas de Khalid. Em significado religioso, tais arabescos são resultado da negação de quaisquer tentativas de representação das qualidades divinas em estruturas religiosas ou imagens. No livro, que é retratado sobre os pilares da fantasia, tal significado é relativo aos deuses representados dentro de sua nova cultura que na história são os mais variados e de impossíveis de serem representados tendo seu formato apenas simbolicamente representados em harmonia na capa.

Na parte inferior do livro temos a imagem sombreada de torres e domas de frente a uma série de pessoas montadas em camelos sob um terreno irregular. O terreno representa do deserto, as torres e os domas representam a cidade e o palácio do sultão e os camelos e as pessoas o levante que existe contra o reinado de Khalid. Por fim, mas não menos importante, dos dois lados da capa temos pingentes: do lado esquerdo, um coração que precisa de uma chave podendo tanto ser o coração sombrio de Khalid quanto o de Sherazade fechado para seu esposo; e do lado direito uma lua e uma estrela onde Khalid é a lua nova tendo Sherazade como estrela para lhe guiar para fora da escuridão ao qual o sultão se encontra.

a rosa e a adagaEm A Rosa e a Adaga, a capa é concebida em tons variados de rosa que entre outras características representa a suavidade do novo amor que surgiu entre o casal de protagonistas, a pureza da verdade sobre o que estava realmente acontecendo e a fragilidade que o reino se encontra pela guerra que foi formada para derrubar o sultão. Os arabescos dessa vez estão distantes da arquitetura sendo voltados para o simbolismo da natureza pois nesse livro Sherazade não esta perto do marido (lembrando que ela casa com ele logo nas primeiras páginas de A Fúria e A Aurora). Tal representação é fundamentada ainda mais pela silhueta de Sherazade que aparece nas areias do deserto, olhando saudosamente (será?) para a cidade onde seu amado está. Apesar de ter menos elementos que a primeira, essa capa é minha favorita pois eu vejo ela com uma harmonia maior entre os elementos presentes.

Os dois próximos paragráfo podem conter spoiler.

Os títulos da duologia são um tanto clássicos sendo colocados sobre duas oposições. A Fúria e a Aurora em termos linguísticos é o ápice da raiva onde se manifesta no momento em que Sherazade deseja  entrar no castelo para se vingar de Khalid. Antes de ler o livro eu imaginava ser uma interpretação do sultão, mas depois da leitura percebo que é sim sobre Sherazade. O mesmo ocorreu com a palavra Aurora que acreditava eu se tratar das manhãs que a protagonista sobreviva, mas que na verdade se trata muito mais dos novas verdades que o sultão traz a sua sultina.

O titulo A Rosa e a Adaga, quem já leu deve acreditar que se refere a um capitulo da trama bem triste (rum, rum). Mas como eu sou uma pessoa do contra, e vale lembrar que as interpretações que eu faço da capa dos livros são de quesito pessoal, eu diria que mais uma vez o titulo vai além do obvio, pois de cara parece que estamos falando que a rosa seria Sherazade e a adaga Khalid. Mas Corujinhas, vamos combinar que a Sherazade é muito mais girl power que o Khalid. Dessa forma, eu acreito que a rosa seja o amor do sultão pela esposa e a adaga a luta de Sherazade para salvar Khalid da guerra sangrenta que está por vir.

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Curiosidades
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1| A série original As Mil e Uma Noites é uma coletânea feita por diversos autores de histórias interligadas.
2| Na história original o sultão Xeriar surpreendeu sua esposa conversando com outro homem e mandou degolá-la. A partir daí, resolveu se casar todos os dias com uma nova mulher, que seria degolada no dia seguinte à noite de núpcias.
3| O livro spin off  Contos de A Fúria e a Aurora, Reneé Ahdieh traz pequenos contos (dã!) sobre os personagens e o que se passou pela cabeça deles nos momentos mais importantes dos livros.
4| O marido de Reneé Ahdieh é persa o que ajudou a autora a formular boa parte da mitologia presente em sua obra.


 

Então é isso amores, espero que tenham gostado. Sei que foram poucas as curiosidades mas eu não achei nenhuma entrevista com a autora para poder tentar pescar mais delas para vocês. Caso tenham alguma sugestão de quais obras poderiam fazer parte do nosso Anatomia Literária, deixem nos comentários. Gih. obrigado pela dica e mais a frente vamos ter outra sua com os livros da gloriosa Júlia Quinn.

Beijos.

(Resenha) A Traidora do Trono – Alwyn Hamilton – Livro Dois

No segundo livro da trilogia A Rebelde do Deserto, Alwyn Hamilton vai te apresentar uma nova face da revolução que irá questionar todas as suas certezas.

“Esta resenha não conterá spoilers do 1ª livro.
Para isto, pule a sinopse.”

transferirTítulo: A Traidora do Trono
Título original:
Série: A Rebelde do Deserto #02
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Páginas: 440
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Saraiva | Amazon

Sinopse: Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade. A garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.

“Tempos atrás, no reino desértico de Miraji, havia um príncipe que desejava assumir o trono do pai. O jovem era movido pela crença de que o pai era um governante fraco e de que ele mesmo desempenharia melhor o papel de sultão”

Apesar de não ter ficado satisfeita com A Rebelde do Deserto, nutri certas expectativas para A Traidora do Trono. Ouvi muitos comentários sobre a evolução da história de Amani e dos rebeldes do deserto de Miraji, acabando por ter um certo pressentimento que iria gostar bem mais desse segundo livro. Talvez, muito disso seja porque sempre tenho tendência a me apaixonar por segundos volumes que parecem fazer a história ganhar massa a medida que os fatores inciais são deixados para trás. Por falar em massa, A Traidora do Trono realmente evolui e mesmo não me apaixonando pela obra, ainda sim percebo que o contexto foi mais evoluído ao ponto de ser intrigante e inesperado.

Alwyn Hamilton tem uma narrativa ágil e de certo modo descompromissada. Um dos pontos que me incomodou no primeiro volume e que continua me incomodando neste, é o fato de Hamilton não conseguir estender-se quando necessário. Muitas situações, principalmente de batalhas, terminam quase tão rápido quanto são iniciadas. Eu sinto falta de profundidade pois tal rapidez não causa frison de medo e expectativa. O lado bom disto é o fato que Hamilton não procrastina, ou seja, ela não fica presa a uma determinada cena, alongando-a o máximo criando sem necessidade. Então de certa forma, a narrativa ficou em certo hiatus entre pontos positivos e negativos.

“Inteligência e sabedoria não são as mesmas coisas. Tampouco habilidade e conhecimento”

Os personagens são um universo a parte. Uma das coisas que mais gosto nessa trilogia, acredito que vai se manter no terceiro livro, é a maneira com o qual estamos sempre lidando com personalidades diversas que nunca são previsíveis mesmo quando deveriam ser. Amani é uma daquelas protagonistas fortes que nós temos orgulho somente de saber da sua existência. Apesar de volta e meia achar ela infantil, seus pensamentos são condizentes para o momento ao qual esta inserida. Sendo Amani a narradora, é possível perceber seus desafios como se fossem nossos, o que nos aproxima da personagem.

Outro personagem que tomou virtudes ainda maiores dentro da história, foi o Sultão que ganhou mais espaço dentro da narrativa. Acho que nessa parte entra o meu ponto favorito dentro do livro de Hamilton, a autora soube criar um vilão excelente que consegue convencer o leitor de suas palavras. Não apenas um vilão para encher linguiça por assim dizer, mas alguém que tem suas convicções e que está disposto de tudo para afirmá-las. O Sultão de certo modo me pareceu o personagem mais sensato também. Pois apesar de entender a guerra, que acabou acontecendo rápido de mais, não acreditei nos ideias do Príncipe Rebelde que me pareceram bons, mas não o suficiente para o governo de um reino. O que o Sultão afirma, sobre ser impiedoso, acaba por ter bem mais verdade que as palavras de Ahmed. Sendo “interliterária”, o Sultão personifica o príncipe de Maquiavel que sabe ser terrível para impedir que seu povo seja mais terrível ainda. Então, Hamilton deixa uma pergunta ao seu leitor sobre o Principe Rebelde: Será Ahmed, com sua nova alvorada, um novo deserto é capaz de ser forte quando necessário?

“— Meu filho é um idealista. Eles são ótimos lideres, mas nunca se saem bem como governantes.”

Com inúmeras reviravoltas e personagens espetaculares, A Traidora do Trono conseguiu ser tudo aquilo que o antecessor não foi. Posso dizer que me encontro ansiosa para o próximo livro e cheia da expectativas pelo que está por vir. Foi fantástico ver o desenrolar da trama e entender as motivações que envolvem o enredo. Além disso, ainda temos a mitologia única que Alwyn Hamilton colocou em suas páginas. O livro foi completo em quase todos os sentidos, e para todos aqueles que amam uma ótima aventura esse livro é uma ótima dica.

“Eu era uma garota do deserto. De onde eu vinha, o mar era feito de areia. E a areia me obedecia. “

(Algo À Ver) Estrelas Além do Tempo – Theodore Melfi

Assistir filmes que retratam períodos históricos marcantes quase sempre me demonstra certo comodismo pela falta da busca de sair do esteriótipo das cargas dramáticas. Filmes como estes chegam aos montes e logo são esquecidos seja pela falta de talento dos diretores e roteiristas seja pela simploriedade das atuações. A questão que alcança barreiras e ultrapassa o esquecimento  para o cinema e para qualquer história nunca foram os sobreviventes, mas sim os guerreiros incapazes de abaixar a cabeça. Por esse motivo, é certo afirmar que Estrelas Além do Tempo é um filme que consegue se tornar maior do que uma mera crítica pois não somente a realiza, como cria pontes para que nós como pessoas, independente do sexo ou cor, possamos ter a coragem de lutar por aquilo que queremos e acreditamos. 

estrelas além do tempo

Titulo: Estrelas Além do Tempo
Titulo Original: Hidden Figures
Diretor: Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe
Distribuição: Fox Filme do Brasil
Duração:
167m
Ano: 2017
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

 

Sra. Mitchel: Sabe Dorothy… ao contrário do que possa pensar eu não tenho nada contra vocês.
Dorothy: Eu sei… que você provavelmente acredita nisto. 

Ambientados nos anos 1961, Estrelas Além do Tempo baseado no livro homônimo de Margot  Lee Shetterly, e narra a história de três mulheres brilhantes que trabalharam na NASA durante o período da Guerra Fria e a corrida espacial. Em termos narrativos, a produção realizada por Melfi é excelente e consegue transmitir os aspectos principais da trama. A fotografia aliada a trilha sonora, que mesmo em silêncio consegue transmitir grandes emoções, transformam a simplicidade de cores e efeitos em algo extraordinário. Chega ser até estranho perceber como tão poucos efeitos ainda conseguem se sobressair a um mundo cinematográfico dominado por explosões e magia sobre-humana. Mas com sua simplicidade carismática e som impecável, o filme se manisfesta para dar destaque ao principal normalmente esquecido pelas grandes produções: a história.

cms-image-000538694Apesar do claro foco em Katherine Goble (Henson) e sua luta para ser reconhecida em um terrenos de homens brancos (no sentido mais pejorativo da expressão), o filme é feliz em conciliar a história de três mulheres em sua grande trajetória pelo destaque naquilo que são naturalmente boas e capazes. Mary (Monaé) quer se tornar engenheira mas para isso precisa estudar em uma escola apenas para brancos. Já Dorothy (Spencer) deseja apenas ser afirmada no cargo que já trabalha, pois mesmo fazendo o ofício de um supervisor o departamento não consegue perceber isso e nem acreditar no potencial da mulher. Mesmo seguindo uma linha de raciocínio óbvia que converge para maneira mais correta de contar determinada história, Melfi ao não introduzir nada realmente novo no filme deixa a cargo de suas três protagonistas a leva do filme à algo mais. Com atuações impecáveis, a força e a inteligência dessas três mulheres é mostrada para que os espectadores absorvam não somente as críticas como a coragem que elas apresentam.

estrelas-alc3a9m-do-tempo-2.jpgO grande trunfo do filme são as atuações que por todo o elenco arrecadaram momento inesquecíveis. Taraji P. Henson é extraordinária em criar uma personagem forte ao mesmo tempo que precisa se submeter aos desmandos da sociedade. De forma nem um pouco caricata de piedismos ou arrogância, Henson demonstra uma Katherine forte e precisa com trejeitos que expressam sua coragem em todos os lugares. Janelle Monaé foi uma grande surpresa para mim, pois mesmo nunca tendo atuado antes (a mulher fez nome como cantora) apresentou um bom domínio de suas emoções ao dar vida a Mary. Já Octavia Spencer que é uma das minhas queridinhas desde seu papel como Minnie em Histórias Cruzadas, mais uma vez conseguiu ser resplandecente. De todas as personagens, Dorothy foi sem dúvida a minha favorita e muito se deve a atuação de Spencer e seu olhar penetrante que conseguiu ultrapassar a quarta parece e tocar meu coração.

005 Kirsten Dunst as Vivian MitchellAlém das três protagonistas, Kevin Costner e Kristen Dunst merecem destaque por seus papeis, principalmente nossa eterna Mary Jane. Antes, já havia tido contato com Costner personificando homens de terno, inteligentes e impactantes, mas perceber Kristen usar a máscara de dureza e preconceito da sra. Mitchel foi bastante interessante, pois mesmo tendo consciência do seu potencial como atriz, nada que tenha feito antes demonstrou isso. Posso dizer que Dunst conseguiu se sobressair encontrando uma ponte para mostrar que pode ser muito mais que uma mocinha indefesa.

Estrelas Alem do Tempo é uma obra emocionante sobre força, luta e feminismo. Não digo que é o melhor filme com tema central sobre racismo que eu assisto, mas sim que é um filme que não deve ser ignorado. Com um bom roteiro e atuações excepcionais, essa obra nos leva a refletir quais são os maiores desafios de nossa vida e o quanto nos estamos dispostos a arriscar para enfrentá-los. 

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(Resenha) O Segredo do Meu Marido – Liane Moriarty

Minhas caras Corujinhas. Em mais um livro sobre relações familiares, Liane Moriarty vai te mostrar como um segredo pode destruir vidas independente de serem grandes ou pequenos.

o segredo do meu maridoTítulo: O Segredo do Meu Marido
Título original: The Husband’s Secret
Autora:  Liany Moriarty
Editora: Intrinseca
Páginas: 368
Ano: 2014
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Amazon | Saraiva

Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta apenas quando ele morrer. Imagine também que essa carta revela seu pior e mais profundo segredo — algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você encontra essa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo… Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar da pequena comunidade em que vive, uma esposa e mãe dedicada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia — ou uma à outra —, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela.

“Você podia se esforçar o quanto quisesse para tentar imaginar a tragédia de outra pessoa – afogar-se em águas congelantes, viver numa cidade dividida por um muro – , mas nada dói de verdade até acontecer com você.”

Não tenho costume de ler livros com cargas dramáticas intensas. Chega ser engraçado visto que meu tipo de leitura favorita nos últimos tempos têm sido livros que apresentam críticas a algum aspecto social e normalmente o drama possui tal quesito. Talvez por isso, pela permissão que me dei de inserir-me no universo dramático, que gostei tanto de realizar a leitura de O Segredo do Meu Marido de Liane Moriarty por indicação da Keth (Parabatai Books), ficando surpresa com todas implicações de sua história. Pois, muito mais que criar medos e anseios para seus personagens, a autora coloca em cheque nossas convicções ao nos perguntar como os pequenos segredos que escondemos afetam tudo e todos ao nosso redor.

Um dos melhores pontos do livro se faz na narrativa intensa, cativante e impiedosa, ao qual Moriarty coloca para o leitor. Mesmo em terceira pessoa, a aproximação com os personagem é feita sem problemas pois você não somente entra em suas mentes mas entende os desafios aos quais eles passam. Em uma narrativa completa e detalhista, são colocadas inúmeras prerrogativas que se manifestam inerentes aos sentimentos do leitores. Através das palavras da autora, podemos nos enxergar em cada personagem recriando em nossas mentes as perguntas e os meios deles ampliando assim o efeito emocional do livro pois o trazemos para nossa realidade.

“Era isso o que precisava ser feito. Era assim que se convivia com um segredo terrível. Apenas seguia-se em frente. Fingia-se que estava tudo bem. Ignorava-se a dor profunda, o embrulho no estômago. De algum modo era preciso anestesiar a si mesmo de forma que nada parecesse tão ruim assim, mas tampouco parecesse bom.”

Em primeiro plano, a leitura começa lenta e parece dispersa e um tanto enfadonha visto que os primeiros capítulos são de apresentação: Liane insere suas personagens em vidas opostas e lugares totalmente diferentes que, exceto por coincidências corriqueiras, não possuem praticamente nada haver uma com a outra. Até que a partir  daquilo, da exposição das personalidades e convicções de suas protagonistas, é que a história ganha forma. Os ligamentos são inseridos e as interrogações sobre os acontecimentos do presente e do passado surgem naturalmente. A partir daí somos constantemente levados a questionar as ações que Rachel, Cecília e Tess têm a medida que situações emocionalmente extremas são colocados a sua frente.

O livro se constrói justamente sobre estas decisões que não somente são dotadas para as três mulheres como convergem para as atitudes do leitor. Ao questionar as protagonistas, Liane também nos questiona sobre os nossos atos, mas principalmente sobre a falta deles. Dessa forma, nos é apresentado o segredo que envolve as três personagens, muito embora com mais vigor sobre Rachel e Cecília, de modo que é segredo ganha relevância gradativa na na vida delas mas de forma incomum, pois o problema não vem somente de contar ou não o segredo, mas a implicações que este tem sobre a vida dessas mulheres em quesitos sociais e familiares.

“Todo o seu corpo pareceu ser esvaziado por uma explosão nuclear. Sobrara apenas a casca da mulher que havia sido. Ainda assim, não tremeu. Suas pernas não cederam. Ela continuou absolutamente imóvel.”

Cecília, Tess e Rachel não poderiam ser mais diferentes. Porém, cada uma ao seu modo enfrenta dificuldades que são expandidas a medida que o segredo ganha maiores proporções mesmo que duas delas não saibam disso. Através do trio, somos lembrados dos nossos egoísmos que sempre estão em favor das necessidades pessoais não tendo nada haver com a vida em sociedade ou sobre ser uma boa pessoa e estender a mão aquele que precisa. Não somente Cecília parece errada por querer esconder seu segredo para proteger sua família, mas Rachel e Tess também estão no limite daquilo que é certo ou errado ao não considerarem nada mais que sua dor na hora de tornar atitude. E considerando que nós como indivíduos também estamos cercados de pequenas atitudes de proteção e desejos insaciáveis, podemos nos perguntar até que ponto podemos considerar essas mulheres inocentes ou culpadas das suas emoções. Dessa forma, Liane que mesmo que os segredos conduzam ao declínio, nem sempre a verdade é libertadora pois ambos estão condicionados ao nosso egoísmo de perder alguma coisa nos torna egoístas. Segredos são obscuros por isso os escondemos, assim como verdades podem ser dolorosas. Mas jamais pensamos nas consequências de ambos deles e é isto que Liane tem a oferecer. A outra pessoa, aquela que vai ser afetada porque fomos covardes ou corajosos de mais para simplesmente tomarmos alguma decisão.

“Nenhum de nós conhece os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre. Pergunte a Pandora.”

Apesar de ter achado a conclusão de algumas questões um tanto mão resolvidas, posso afirmar O Segredo do Meu Marido é um dos melhores livros que já li por trazer a tona de modo arrasador todas as implicações fundamentadas entre segredos, ações e suas consequências. Liane Moriarty mostra mais uma vez sua capacidade de questionar o leitor e faze-lo refletir sobre assuntos tão próximos e tão distantes de nós. Um livro simples, claro que esclarece de uma vez por toda o impacto de uma mentira sobre a vida de todos nós.

(Algo à Ver) Três Anúncios Para Um Crime – Martin McDonagh

Existem filmes que você demora a assistir seja por medo de decepção, seja porque a história em primeiro momento não seja tão atrativa quanto deveria. Ao ver a sinopse de Três Anúncios Para Um Crime alguns meses atrás essas duas prerrogativas estavam pairando sob a filme. Mas agora, após ver a película e perceber a grandeza do filme de Martin McDonagh, estou com aquela sensação de que já deveria ter feito isso há muitos meses.

Tres Anuncios Para Um CrimeTitulo: Três Anúncios Para Um Crime
Titulo Original:  Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Diretor: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormandWoody Harrelson e Sam Rockwell
Duração: 116 m
Ano: 2018
Distribuição: Fox Films
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬 ❤

Se enganará quem pensar em assistir esse filme como um excelente suspense de tirar o folego com cenas impactantes de lutas e tiroteios. Pois apesar de poder ser exaltado como excelente, se não um dos melhores filmes do ano, Três Anúncios Para Um Crime vai muito além das aparências sendo construído sobre o drama afim de ressaltar o poder quer a dor, em todos os sentidos da palavra, tem fazer das pessoas tornarem-se reféns do ódio.

O filme se passa em uma pequena pacata cidade do Missouri no sul dos Estados Unidos e conhecido por ser um estado de grande conservadorismo, fato que influencia diretamente dentro da trama. A trajetória a ser explorada é a saga de uma mãe, Mildred Hayes (Frances McDormand), que inconformada com o modo relapso(?) que a polícia vem tratando o caso de estrupo e assassinato de sua filha sete meses antes decidi cobrar mais efetividade do departamento alugando três outdoors em uma estrada pouco movimentada explanando o caso. Fato que influencia diretamente no trabalho do chefe Bill Willoughby (Woody Harrelson) e de seu companheiro Jason Dixon (Sam Rockwell).

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Mildred Hayes (Frances McDormand)

Apesar da certa obviedade de todo o contexto da trama, o filme é comovente pela saga que se propõe e consegue apresentar em dualidades impostas naquilo que podemos chamar de certo ou errado. Os diálogos, as expressões e a sonoplastia ajudam a criar um filme de grandes proporções que deixa a cargo do espectador decidir quem está com a razão ou mesmo se ela existe. Porque apesar de nós podermos enxergar precisamente os desejos de uma mãe ferrenha em encontrar e prender o assassino de sua filha, também adquirimos empatia pelos policiais, em especial o chefe Willoughby, que estão de mãos atadas por todas as burocracias que envolvem a investigação. De modo que muito antes de ser um filme de suspense, pois sim ele existe no contexto geral da trama, o drama é claro logo nos primeiros minutos ao mostrar que não se trata de encontrar um assassino e sim ir profundamente para além dos sentimentos daqueles que foram marcados pelo meio em qual vivem.

Nunca antes eu tinha assistido um filme estrelado por McDormand, então posso não estar muito segura de afirmar que esse tenha sido seu papel mais marcante porque simplesmente me deixou com a sensação de necessitar de figurinhas e canecas com seu rosto estampado. Dando vida a Hayes de uma forma implacável, a atriz personifica a personagem tomando para si todas suas emoções. Mesmo quando não abre a boca, os sentimentos ficam estampados sob as rugas de seu rosto. É como se aquilo que marcou sua personagem tivesse lhe marcado também, logo, deixamos de ver apenas um filme e vemos verdadeiramente a história daquela mulher.

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Bill Willoughby (Woody Harrelson) e Hayes.

Falando em atuações extraordinárias é impossível criticar esse filme sem citar Sam Rockwell que foi um coadjuvante com veias de protagonistas. Acredito que tenha sido o personagem com mais variações dentro da trama e que carregou muitos significados consigo. Sendo um policial racista e violento, seu personagem tem exatamente todas as características das quais ao longo dos anos vem se criticando em termos comportamentais dos oficiais americanos. Mas ao invés de roteirizar um vilão, os roteiristas demonstram o começo de sua redenção. Jason Dixon é levado a perceber que o ódio que carrega no peito nunca será capaz de levá-lo a lugar. Lição que nele fica mais clara do que em Hayes, muito embora ambas não chegam a ser conclusivas pelo filme.

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Jason Dixon (Sam Rockwell)

Pela solução apresentada em no filme para toda a questão de ódio e racismo, houve muitas polêmicas em torno da obra quanto a facilidade que tudo foi resolvido. Afinal de contas, estamos falando de décadas opressão que parecem ser solucionadas em duas horas. Mas ao contrário do que muitos pensam, o filme não é conclusivo e muito menos solucionador. É um filme que mostra um caminho a ser seguido, não necessariamente o único que é capaz disso. Basta observar a trajetória de Dixon e perceber que apesar de seus ensinamentos, o homem não parece totalmente convencido. E é nesse instante que entra o brilhantismo do filme que se encontra no que é dito entrelinhas e nas indagações que são direcionadas ao expectador.

Três Anúncios Para Um Crime é um filme emocionante que com certeza entrará para a lista de melhores filmes do ano e da minha vida. Intenso, cheio de perguntas e de atuações memoráveis, o filme é extraordinário e não deve ser ignorado ou subestimado. Mesmo sendo inconclusivo, acreditem quando digo isso para mim é um problema e tanto, o filme não peca por que sua natureza não é ter todas as respostas, mas sim direcionar todas as perguntas.